CBS de 11,3%: 6 Pontos Sobre o Novo Imposto e o Seu Bolso

Na quarta-feira (28), o Tribunal de Contas da União aprovou o número que vai substituir o PIS e a Cofins a partir de 2027: a alíquota da CBS de referência ficou em 11,3% (11,3468%, para ser exata). Parece notícia de contador, mas ela mexe com o preço de quase tudo o que você compra, do plano de celular ao conserto da geladeira.
A dúvida que mais escuto desde ontem é simples: “vou pagar mais imposto?”. A resposta honesta é que ninguém sabe ainda o efeito final em cada produto, mas já dá para entender o que foi decidido, por que o número veio maior que o esperado e o que muda (e o que não muda) no seu orçamento. Vamos por partes.
6 pontos para entender a alíquota da CBS
1. O que exatamente o TCU decidiu
O TCU calculou a alíquota de referência da Contribuição sobre Bens e Serviços, o tributo federal criado pela reforma tributária para ocupar o lugar do PIS/Pasep e da Cofins. Segundo a Agência Senado, o tribunal também fixou um redutor de 44,16% para compras da administração pública. O cálculo segue a regra da “neutralidade”: a CBS deve arrecadar, no agregado, o mesmo que os tributos que ela substitui. O governo estima arrecadar R$ 636 bilhões com ela em 2027.
2. Por que o número veio acima do previsto
Em 2024, a Fazenda estimava algo perto de 8,8% para a CBS. Em julho deste ano, o Comitê Gestor do IBS falava em 9,21%. O 11,3% ficou acima das duas contas, como mostrou a InfoMoney/Reuters. Na prática, quanto mais exceções e regimes favorecidos o sistema tem, mais alta precisa ser a alíquota cheia de quem não tem benefício para a arrecadação fechar.
3. Ainda não é o número final
O cálculo vai para o Senado, que precisa fixar a alíquota por resolução em dezembro. Se não fizer isso a tempo, vale automaticamente o número do TCU a partir de 1º de janeiro de 2027. O próprio tribunal trata o 11,3% como parâmetro de neutralidade, e as alíquotas do Imposto Seletivo, que o governo ainda vai enviar por medida provisória, podem mexer nessa conta.
4. Somada ao IBS, a conta passa de 30%
A CBS é a parte federal. Estados e municípios terão o IBS, que vai absorver ICMS e ISS. Com uma estimativa de 18,7% para o IBS, o IVA brasileiro ficaria perto de 30%, segundo o SBT News, um dos mais altos do mundo. Importante: isso é a alíquota padrão, não a carga que você paga em cada item. A transição completa só termina em 2033.
5. Nem tudo vai pagar a alíquota cheia
A lei da reforma (LC 214/2025) prevê alíquota zero para a cesta básica nacional, redução de 60% para itens como serviços de saúde e educação e devolução de parte do imposto (o chamado cashback) para famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico. Ou seja: o arroz e o feijão não entram na conta dos 11,3%, enquanto serviços e produtos sem benefício tendem a sentir mais.
6. Como isso aparece no seu bolso
Hoje o PIS/Cofins já está escondido no preço; a CBS vai aparecer destacada na nota fiscal. Um exemplo simplificado: numa compra de R$ 200 de um produto com alíquota cheia, a CBS seria cerca de R$ 22,70, valor que substitui (e não se soma a) o PIS/Cofins embutido hoje. Se o preço final sobe, cai ou fica igual vai depender do setor e de quanto crédito a empresa consegue abater ao longo da cadeia.
Nos meus anos no PagBank, vi de perto como mudanças tributárias chegam ao consumidor: raramente de uma vez, quase sempre diluídas em reajustes ao longo de meses. Por isso, a melhor defesa não é tentar adivinhar o preço de cada coisa, e sim saber quanto você gasta em cada categoria. Quem tem esse mapa percebe rápido onde a mudança pesou e ajusta antes de virar dívida.
Esse é um bom momento para revisar o peso dos serviços no seu mês (streaming, academia, salão, aplicativo de transporte), já que eles estão no grupo que mais discute aumento de carga. Se o seu orçamento ainda é feito “de cabeça”, vale ver como montar um orçamento familiar funcional antes de janeiro. E se o 13º está chegando, pense em reservar uma parte para absorver reajustes do início do ano; separamos 6 formas de usar o 13º sem comprometer o ano.
Vale lembrar: este texto noticia e explica a decisão; não traz recomendação de compra, venda ou investimento.
Perguntas frequentes sobre a alíquota da CBS
O que é a CBS?
É a Contribuição sobre Bens e Serviços, tributo federal criado pela reforma tributária sobre o consumo. Ela substitui o PIS/Pasep e a Cofins e funciona no modelo de IVA: o imposto pago em uma etapa da cadeia gera crédito na etapa seguinte, o que evita a cobrança de imposto sobre imposto. A cobrança plena começa em 2027 e a transição do sistema vai até 2033.
A alíquota da CBS de 11,3% já está valendo?
Não. O TCU aprovou o cálculo em 28 de outubro de 2026 e enviou ao Senado, que deve fixar a alíquota por resolução em dezembro. Se o Senado não votar no prazo, o número calculado pelo TCU passa a valer automaticamente a partir de 1º de janeiro de 2027. Até lá, continuam valendo PIS e Cofins.
Vou pagar 11,3% a mais em tudo?
Não. A CBS substitui tributos que já estão embutidos nos preços, então não é um imposto somado ao que existe hoje. Além disso, a cesta básica nacional tem alíquota zero, saúde e educação têm redução de 60% e famílias do CadÚnico terão cashback. O efeito real varia por produto e serviço.
Qual a diferença entre CBS e IBS?
A CBS é federal e substitui PIS e Cofins. O IBS é de estados e municípios e vai substituir ICMS e ISS. Os dois seguem as mesmas regras de base e de crédito, formando o chamado IVA dual. Somadas, as alíquotas padrão podem passar de 30%, segundo estimativas divulgadas em outubro de 2026.
O que fazer hoje
Pegue os gastos do último mês e separe em três grupos: alimentos básicos, serviços e outros produtos. Anote quanto vai para cada um. Esse retrato simples mostra onde a reforma tem mais chance de pesar no seu bolso e onde você tem margem para ajustar. Para fazer isso sem planilha improvisada, use o Planner Financeiro 360º e chegue a 2027 sabendo exatamente para onde vai cada real. Informação organizada é o que transforma notícia de imposto em escolha sua, não em susto.
Sobre a autora: Gracy Ferreira é especialista em marketing com quase 12 anos de experiência no PagBank e mais de 15 anos investindo na prática. Fundadora do Site Guardar Dinheiro, onde escreve sobre o caminho do meio entre viver hoje e garantir o futuro.
Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Atualizado em: 29/10/2026



