Quando Sacar o FGTS: 7 Situações Além da Demissão

A maioria das pessoas só pensa no FGTS em dois momentos: quando é demitida ou quando escolhe o saque-aniversário. Por isso, muita gente passa anos sem saber que tem dinheiro disponível para resgatar, seja por idade, por doença na família ou porque o município passou por uma enchente. Saber quando sacar o FGTS é, na prática, saber quando esse dinheiro pode voltar para a sua vida.
O FGTS funciona como uma poupança ligada ao emprego formal: o empregador deposita 8% do salário todo mês na sua conta vinculada. As hipóteses de saque estão listadas no artigo 20 da Lei 8.036/1990, e um guia da Gazeta de São Paulo chega a contar 18 situações diferentes.
Abaixo estão as 7 mais esquecidas, que valem para muita gente e quase nunca aparecem na conversa.
1. Aposentadoria, mesmo continuando a trabalhar
Quem se aposenta pelo INSS pode sacar o saldo do FGTS, e o direito vale mesmo que a pessoa continue no mesmo emprego. Basta comprovar a concessão do benefício com a carta do INSS. Exemplo: alguém com R$ 38 mil acumulados que se aposenta em janeiro pode sacar esse valor sem pedir demissão. Se você está perto disso, vale entender antes as regras vigentes de aposentadoria do INSS.
2. Ter 70 anos ou mais
A lei permite o saque para quem tem 70 anos ou mais, sem exigir aposentadoria. Parece um caso raro, mas não é: muita gente nessa idade ainda tem saldo de vínculos antigos, às vezes de empregos de décadas atrás. Um documento com foto e a Carteira de Trabalho costumam bastar.
3. Doença grave do trabalhador ou de um dependente
Câncer (neoplasia maligna), HIV e estágio terminal de doença estão entre as hipóteses previstas na lei, e o direito vale também quando o doente é um dependente do trabalhador. É preciso apresentar relatório médico assinado, com identificação do médico, e exames que confirmem o diagnóstico. Se o caso for de câncer, o Estou Com Câncer explica em detalhes os passos para sacar o FGTS por câncer.
4. Calamidade pública ou desastre natural
Em enchentes, deslizamentos e outros desastres com calamidade reconhecida oficialmente, pode haver liberação do saque calamidade, até um limite por evento definido em regulamento. A habilitação depende de o município constar na lista autorizada e costuma ter prazo para o pedido. Por isso, se a sua cidade foi atingida, não deixe para depois: o comprovante de residência é o documento principal.
5. Três anos fora do regime do FGTS
Quem fica três anos seguidos sem carteira assinada, por exemplo trabalhando como autônomo, MEI ou servidor estatutário, pode sacar o saldo das contas antigas. É o caso clássico do dinheiro “esquecido”: R$ 2.000 parados de um emprego de 2019 continuam lá, rendendo pouco, até você pedir.
6. Fim de contrato temporário ou falência da empresa
Contratos por prazo determinado, de experiência ou por obra certa que terminam na data prevista liberam o saque. O mesmo vale quando a empresa fecha, decreta falência ou o empregador individual morre. Muita gente que fez trabalho temporário de fim de ano, por exemplo, não sabe que pode retirar o FGTS daquele período.
7. Falecimento do titular
Quando o trabalhador morre, os dependentes habilitados na Previdência Social podem sacar o saldo. Na falta deles, os sucessores indicados em alvará judicial. É um assunto delicado, mas importante: em momentos de luto, esse valor pode ajudar a família a atravessar os primeiros meses.
Um cuidado importante para quem está no saque-aniversário
Quem aderiu ao saque-aniversário perde o direito de sacar o saldo total na demissão sem justa causa (fica só com a multa de 40%). Mas as hipóteses desta lista, como aposentadoria, doença grave e 70 anos, continuam valendo. Se você ainda tem dúvida sobre qual modalidade combina com você, explicamos as diferenças entre saque-aniversário e saque-rescisão.
O que eu aprendi olhando o FGTS de perto
Quando comecei a investir, há mais de 15 anos, fiz um levantamento de todo o dinheiro que eu tinha “espalhado” por aí, e o FGTS de um emprego antigo estava entre eles. Não era uma fortuna, mas era dinheiro meu, rendendo menos do que poderia. Desde então, olho o extrato do aplicativo pelo menos uma vez por ano. Nos meus anos no PagBank, também vi muita gente descobrir saldos esquecidos só quando precisava de dinheiro com urgência, e aí já sem tempo de juntar documentos com calma. Conhecer as regras antes é o que transforma o FGTS em ferramenta, e não em surpresa.
Este conteúdo é informativo e não indica onde aplicar o valor sacado; cada situação depende dos seus objetivos e do seu momento.
Perguntas frequentes sobre quando sacar o FGTS
Posso sacar o FGTS se pedir demissão?
Não. Pedir demissão, por regra, não libera o saldo do FGTS. O dinheiro continua na conta e poderá ser sacado em outra hipótese prevista em lei, como uma futura demissão sem justa causa, aposentadoria, compra da casa própria ou três anos fora do regime do FGTS. A exceção é o saque-aniversário anual, para quem aderiu.
Quais doenças dão direito ao saque do FGTS?
A lei cita expressamente neoplasia maligna (câncer), HIV e estágio terminal de doença grave, tanto do trabalhador quanto de dependente. Outras condições graves aparecem em listas divulgadas por veículos de imprensa, mas a aceitação depende da análise da Caixa. Sempre leve relatório médico assinado e exames que comprovem o diagnóstico.
Como consultar se tenho FGTS para sacar?
Pelo aplicativo FGTS, disponível para Android e iOS, com login pela conta gov.br. Ali aparecem todas as contas vinculadas, inclusive de empregos antigos, o saldo de cada uma e as opções de saque disponíveis para o seu caso. O pedido de muitas modalidades pode ser feito no próprio aplicativo, com envio de fotos dos documentos.
Quem está no saque-aniversário pode sacar por doença grave?
Sim. O saque-aniversário restringe o saque total do saldo nas hipóteses de demissão, mas não bloqueia as demais situações previstas em lei. Doença grave, aposentadoria, 70 anos e calamidade pública continuam permitindo o saque, desde que o saldo não esteja bloqueado por uma antecipação contratada com banco.
Sua ação de hoje
Abra o aplicativo FGTS e confira se existe alguma conta antiga com saldo, principalmente de empregos temporários ou de vínculos encerrados há mais de três anos. Se houver valor disponível, antes de decidir o destino dele, simule quanto esse dinheiro renderia guardado na nossa calculadora de renda fixa. Saber que esse dinheiro existe já muda as suas opções, e ter opções é exatamente o que chamamos de liberdade.
Sobre a autora: Gracy Ferreira é especialista em marketing com quase 12 anos de experiência no PagBank e mais de 15 anos investindo na prática. Fundadora do Site Guardar Dinheiro, onde escreve sobre o caminho do meio entre viver hoje e garantir o futuro.
Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Atualizado em: 23/10/2026



