Pontos do Cartão: 6 Cuidados Para Não Perder Antes de Vencer

Você abre o app do banco, vê um saldo de 18 mil pontos e pensa “um dia eu troco”. Meses depois, o número diminuiu, e ninguém avisou direito. Pontos do cartão têm prazo de validade, e esse prazo costuma ser bem menos generoso do que parece.
O assunto não é pequeno. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização (ABEMF) publicados pelo Passageiro de Primeira, os programas emitiram 299,3 bilhões de pontos e milhas só no primeiro trimestre de 2026, e a taxa de pontos que expiraram sem uso ficou em 11,1%. É o menor índice já registrado, mas ainda significa que mais de um em cada dez pontos foi para o lixo.
Se você paga anuidade para acumular, perder ponto é perder dinheiro duas vezes. Já falamos aqui sobre quando vale a pena pagar anuidade por milhas e pontos. Agora o foco é outro: como não deixar vencer o que você já acumulou.
1. Descubra onde seus pontos estão de verdade
Existem dois lugares possíveis. Alguns cartões guardam os pontos no próprio programa do banco; outros enviam direto para um programa de fidelidade, como Livelo ou Esfera. A validade muda conforme o lugar. Segundo levantamento do Passageiro de Primeira, atualizado em agosto, a maioria dos pontos no Brasil expira entre 12 e 24 meses; em cartões de categoria mais alta o prazo pode chegar a 3 ou 4 anos, e há programas em que não expiram. Entre no app do cartão, procure “pontos” ou “benefícios” e anote o nome do programa.
2. Anote a data de vencimento de cada lote
Os pontos raramente vencem todos juntos. Cada mês de compras gera um lote com data própria. Um saldo de 18 mil pode ter 4 mil vencendo em novembro e o restante só em 2028. A maioria dos extratos mostra isso numa aba de “pontos a expirar”. Coloque o próximo vencimento no calendário do celular com 30 dias de antecedência.
3. Cuidado com os pontos bônus de transferência
Promoções de transferência com bônus de 80% ou 100% parecem um ótimo negócio, e muitas vezes são. O detalhe é que os pontos bônus costumam ter validade bem menor que os pontos normais, de 6 meses em alguns programas aéreos e de 6 a 24 meses em outros, segundo o mesmo levantamento. Se você transferir 10 mil pontos e ganhar 10 mil de bônus, mas não tiver uma viagem em vista, pode perder metade do saldo antes de usar.
4. Só transfira quando houver um resgate em mente
Enquanto ficam no programa do banco ou em programas como Livelo, os pontos podem ser enviados para vários parceiros. Depois de transferidos para uma companhia aérea, ficam presos ali e passam a seguir a validade dela. Quando comecei a investir, há mais de 15 anos, aprendi uma regra que vale aqui também: dinheiro parado sem plano tende a se perder. Com pontos é igual. Transfira quando já souber o destino e a data aproximada.
5. Se for vencer, troque por algo útil, mesmo que não seja o ideal
Nem sempre o resgate perfeito aparece a tempo. Se 5 mil pontos vão vencer em 20 dias e não há passagem possível, vale olhar opções de troca por produtos, desconto na fatura ou crédito em conta, dependendo do programa. A taxa de conversão costuma ser pior, mas qualquer valor é melhor que zero. Se cada mil pontos renderem R$ 15 numa troca simples, 5 mil pontos são R$ 75 que voltam para o orçamento.
6. Não gaste mais só para acumular pontos
Esse é o cuidado que mais protege o bolso. Ninguém deve comprar algo que não compraria para “não perder a pontuação”. E pontos nunca compensam juros: se a fatura não for paga integralmente, o rotativo come em um mês tudo o que você acumulou no ano. Se isso já aconteceu, veja como escapar dos juros do rotativo do cartão antes de pensar em milhas.
Nos meus quase 12 anos no PagBank, vi muita gente escolher cartão pelo programa de pontos sem olhar o próprio padrão de gastos. Quem gasta R$ 1.500 por mês dificilmente junta pontos suficientes para compensar uma anuidade alta. Se você está nessa dúvida, o guia sobre como escolher o cartão de crédito ideal para o seu perfil ajuda a colocar os números lado a lado. Este texto é informativo e não indica nenhum cartão ou programa específico.
Perguntas frequentes sobre pontos do cartão
Os pontos do cartão de crédito vencem?
Depende do programa. Alguns programas de banco mantêm os pontos sem prazo enquanto o cartão está ativo; outros têm validade de 2 a 4 anos por lote, conforme a categoria do cartão. Ao transferir para companhias aéreas, os pontos passam a seguir a regra delas. A informação certa está no regulamento do programa e na área de “pontos a expirar” do aplicativo.
O que acontece com os pontos se eu cancelar o cartão?
Em muitos programas de banco, os pontos acumulados ficam vinculados ao cartão e podem ser perdidos no cancelamento. Antes de cancelar, consulte o saldo, transfira ou resgate o que puder e confirme com o atendimento qual é o prazo para usar. Pontos já enviados a programas externos, como Livelo ou Esfera, seguem as regras desses programas.
Vale a pena comprar pontos para não perder os que estão vencendo?
Na maioria das vezes, não. Comprar pontos só faz sentido quando completa um resgate específico que você já faria e quando o custo total fica abaixo do preço da passagem em dinheiro. Comprar só para “salvar” pontos que estão vencendo costuma ser gastar dinheiro novo para tentar recuperar um valor pequeno.
Como saber quanto vale um ponto do cartão?
Divida o preço em reais de um produto ou passagem pelo número de pontos pedidos. Se uma passagem de R$ 600 custa 30 mil pontos, cada mil pontos valem R$ 20 nesse resgate. Fazer essa conta em duas ou três opções mostra qual troca aproveita melhor o saldo e evita resgates que desperdiçam pontos.
O que fazer hoje
Abra hoje o app do seu cartão, encontre o saldo de pontos e a próxima data de vencimento, e coloque um lembrete no celular 30 dias antes. Se algum lote vence ainda este ano, decida agora o destino dele. Pontos usados com plano são um pequeno desconto no que você já ia consumir, e cada real economizado assim é um pouco mais de liberdade para escolher onde gastar o resto.
Sobre a autora: Gracy Ferreira é especialista em marketing com quase 12 anos de experiência no PagBank e mais de 15 anos investindo na prática. Fundadora do Site Guardar Dinheiro, onde escreve sobre o caminho do meio entre viver hoje e garantir o futuro.
Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Atualizado em: 16/10/2026



