Milhas e Pontos do Cartão: Vale a Pena Pagar Anuidade?

Um leitor me escreveu contando que trocou de cartão porque o gerente disse que “esse aqui dá muito mais milhas” — só que a anuidade subiu de R$ 0 para R$ 1.200 por ano, e ele nunca parou pra calcular se as milhas que ia ganhar cobriam essa diferença. Spoiler: não cobriam, porque ele gastava cerca de R$ 3.000 por mês no cartão, longe do necessário para compensar.
Cartão com milhas não é bom ou ruim por natureza — é bom ou ruim dependendo de quanto você gasta e paga de anuidade. E essa conta é mais simples do que parece.
A conta que decide se vale a pena
Para uma anuidade se pagar com pontos que valem cerca de R$ 0,025 cada, num cartão que dá 2,5 pontos por real gasto, o gasto anual no cartão precisa ser cerca de 16 vezes o valor da anuidade. Ou seja: se a anuidade é de R$ 1.000, você precisaria gastar perto de R$ 16.000 por ano só nesse cartão para empatar — sem contar nenhum benefício extra como seguro-viagem ou sala VIP.
Isso significa, na prática: se você gasta R$ 1.500 por mês no cartão (R$ 18.000 por ano), uma anuidade de R$ 1.000 fica no limite do que vale a pena. Se você gasta R$ 500 por mês (R$ 6.000 por ano), a mesma anuidade praticamente nunca vai se pagar só com milhas.
Quando o cartão de milhas faz sentido
Faz mais sentido para quem já concentra bastante gasto recorrente no cartão — assinaturas, supermercado, combustível, contas — e realmente costuma usar as milhas depois, seja para viajar, seja para resgatar produtos. Se as milhas ficam acumuladas sem uso por anos, elas perdem valor (muitos programas têm validade) e a conta que parecia vantajosa deixa de ser.
Outro ponto que pesa a favor: cartões premium costumam incluir benefícios que têm valor mesmo sem contar milhas, como seguro-viagem internacional ou acesso a salas VIP em aeroportos. Se você viaja de avião com frequência, esses benefícios sozinhos podem justificar parte da anuidade.
Quando não vale a pena de jeito nenhum
Existe um cenário em que cartão de milhas nunca compensa, independente do quanto você gasta: se você usa o rotativo do cartão ou paga a fatura com atraso. O rotativo do cartão de crédito girava perto de 428% ao ano em 2026 — qualquer ganho com pontos ou cashback é apagado no primeiro mês de rotativo, muitas vezes várias vezes seguidas.
Também não costuma valer a pena para quem tem gasto mensal baixo no cartão (abaixo de R$ 1.000) e trocaria um cartão sem anuidade por um com anuidade “só para acumular pontos” — nesse caso, um cartão sem anuidade com cashback simples tende a deixar mais dinheiro no bolso no fim do ano.
Nos meus anos trabalhando com produtos financeiros no PagBank, o padrão que eu via com mais frequência era exatamente esse: cliente trocando de cartão pela promessa da milha, sem fazer a conta de gasto mensal antes. A decisão certa depende do seu comportamento de gasto, não do quanto o cartão promete na propaganda.
Perguntas frequentes sobre cartão de milhas e anuidade
A anuidade do cartão de milhas é negociável?
Sim, na maioria dos bancos e emissores. Muitos oferecem isenção total ou parcial da anuidade a partir de um valor mínimo de gasto mensal — vale ligar e perguntar antes de aceitar pagar o valor cheio.
Cashback é sempre melhor que milhas?
Não necessariamente. Cashback tem valor mais previsível e imediato, enquanto milhas podem valer mais se usadas bem (como passagens em classe executiva), mas exigem mais planejamento e atenção a prazos de validade.
Vale a pena ter mais de um cartão de milhas ao mesmo tempo?
Só se você conseguir concentrar gasto suficiente em cada um para justificar as respectivas anuidades. Dividir o gasto entre vários cartões premium geralmente significa pagar várias anuidades sem atingir o ponto de equilíbrio em nenhuma delas.
Milhas expiram?
Depende do programa, mas muitos têm prazo de validade de 2 a 5 anos. Vale checar as regras do seu programa específico, porque milha parada perdendo validade é dinheiro que você já pagou e não vai usar.
O que fazer com essa informação hoje
Pegue sua fatura dos últimos três meses e calcule a média do que você gasta no cartão. Multiplique por 12 e compare com 16 vezes a anuidade do cartão premium que você tem ou está pensando em pedir. Se o seu gasto anual não chegar perto desse número, um cartão sem anuidade tende a deixar mais dinheiro sobrando no seu bolso do que qualquer programa de milhas.
Sobre a autora: Gracy Ferreira é especialista em marketing com quase 12 anos de experiência no PagBank e mais de 15 anos investindo na prática. Fundadora do Site Guardar Dinheiro, onde escreve sobre o caminho do meio entre viver hoje e garantir o futuro.
Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Atualizado em: 20/09/2026
