Blog / Empréstimo

Empréstimo

Juros Para Famílias: Top 6 Créditos Mais Caros de Agosto

Por Equipe Guardar Dinheiro
Cartão de crédito e extrato bancário com taxas destacadas, ilustrando juros para famílias por linha de crédito

Quando falta dinheiro no fim do mês, a primeira saída costuma ser a mais fácil, e não a mais barata: pagar o mínimo da fatura, usar o limite da conta, aceitar a oferta que aparece no aplicativo. O problema é que, no Brasil, a diferença de juros entre uma linha de crédito e outra é enorme, e escolher errado pode custar caro.

Os números mais recentes do Banco Central, divulgados na terça-feira (29), mostram que os juros para famílias voltaram a subir em agosto. A taxa média do crédito livre para pessoas físicas chegou a 61,7% ao ano, e a inadimplência das famílias atingiu 6%, segundo a Agência Brasil. Organizei abaixo as seis linhas de crédito mais comuns do dia a dia, da mais cara para a mais barata, com as taxas de agosto informadas pelo BC e publicadas pelo O Povo/Estadão Conteúdo e pelo Jornal do Comércio.

Antes da lista, um aviso importante: este ranking é informativo. Ele mostra médias do mercado para ajudar você a entender o custo de cada opção, e não é recomendação para contratar nenhum crédito ou instituição.

1. Rotativo do cartão de crédito: 444,9% ao ano

É o que acontece quando você paga menos que o total da fatura. A taxa média subiu de 436,2% em julho para 444,9% em agosto. Traduzindo para o mês, é algo em torno de 15%. Deixar R$ 1.000 no rotativo por um mês custa perto de R$ 150 só de juros. Desde 2024, a lei limita os juros e encargos do rotativo e do parcelado a 100% do valor da dívida, mas o custo continua alto.

2. Parcelamento da fatura do cartão: 192,1% ao ano

Parcelar a fatura parece mais organizado que o rotativo, e é mais barato, mas ainda está entre as opções mais caras. A taxa passou de 189,3% para 192,1% ao ano, o equivalente a cerca de 9,3% ao mês. Em R$ 1.000, são aproximadamente R$ 93 de juros no primeiro mês.

3. Cheque especial: 136,4% ao ano

O limite que aparece “somado” ao seu saldo na conta. A taxa média recuou levemente, de 137% para 136,4% ao ano, cerca de 7,4% ao mês, perto do teto de 8% ao mês fixado pelo Banco Central. Em R$ 1.000 usados por um mês, são uns R$ 74 de juros. Aqui no blog, explicamos em detalhe como funciona o cheque especial.

4. Crédito pessoal sem consignação: 110,2% ao ano

O empréstimo pessoal comum, oferecido no app ou na agência. Caiu de 111% para 110,2% ao ano, algo como 6,4% ao mês, ou R$ 64 de juros por mês a cada R$ 1.000. É a linha que o Desenrola Adimplentes tenta baratear para trabalhadores informais.

5. Crédito consignado: 29% ao ano

Com desconto direto na folha ou no benefício, o risco para o banco é menor e a taxa também. Subiu de 28,4% para 29% ao ano, cerca de 2,1% ao mês, ou R$ 21 em R$ 1.000. Mais barato não significa sem risco: a parcela sai antes de o salário chegar na sua conta, e isso reduz a sua margem para imprevistos.

6. Financiamento de veículos: 26,4% ao ano

Tem o carro como garantia e, por isso, taxa menor: 26,4% ao ano em agosto, praticamente estável. Serve para comprar o veículo, não para cobrir aperto do mês, mas entra aqui como referência de quanto uma garantia muda o preço do dinheiro.

O que esse ranking ensina

A diferença entre o primeiro e o último colocado é de mais de 400 pontos percentuais ao ano. Nos meus quase 12 anos no PagBank, a coisa que mais vi pesar no bolso das pessoas não foi a dívida grande e planejada, e sim a pequena e esquecida: o R$ 300 que ficou no rotativo “só este mês”, o limite da conta que virou hábito. São valores baixos com as taxas mais altas do mercado.

Se você tem dívida no rotativo ou no cheque especial, trocar por uma linha mais barata (quando possível e sem aumentar o total devido) pode fazer uma diferença grande. E se o aperto é recorrente, a solução passa pelo orçamento, não por outro crédito. Já falamos aqui sobre como escapar dos juros do rotativo.

Perguntas frequentes sobre juros para famílias

Qual é a linha de crédito mais cara do Brasil?

Segundo dados do Banco Central de agosto de 2026, o rotativo do cartão de crédito é a mais cara, com juro médio de 444,9% ao ano. Em seguida vêm o parcelamento da fatura do cartão, com 192,1%, e o cheque especial, com 136,4% ao ano. As taxas são médias do mercado e variam entre instituições.

O rotativo do cartão não tem limite de juros?

Tem. Desde janeiro de 2024, a lei determina que os juros e encargos do rotativo e do parcelado do cartão não podem ultrapassar 100% do valor original da dívida. As taxas anuais divulgadas pelo Banco Central são uma extrapolação estatística do juro mensal, já que normalmente o consumidor fica pouco tempo no rotativo.

Vale a pena trocar dívida do cartão por empréstimo pessoal?

Pode valer, porque o empréstimo pessoal sem consignação teve média de 110,2% ao ano em agosto, bem abaixo dos 444,9% do rotativo. Antes, compare o Custo Efetivo Total das duas opções, confira se o prazo não aumenta demais o valor final e evite voltar a usar o cartão enquanto paga o novo empréstimo.

Por que a inadimplência das famílias subiu?

Segundo o Banco Central, a inadimplência das famílias chegou a 6% em agosto, com alta de 1,1 ponto percentual em 12 meses. O endividamento atingiu 49,9% da renda anual e o comprometimento de renda com dívidas ficou em 28,7%, o que reduz a folga do orçamento e dificulta manter as parcelas em dia.

O que fazer hoje

Abra o aplicativo do banco e do cartão e anote em que linhas você deve hoje e quanto em cada uma. Se aparecer rotativo ou cheque especial, essa é a primeira dívida a atacar. Para ver o quadro completo das suas finanças e por onde começar, faça o Raio-X Financeiro gratuito. Saber quanto o seu dinheiro está custando é o primeiro passo para voltar a ter escolha sobre ele.


Sobre a autora: Gracy Ferreira é especialista em marketing com quase 12 anos de experiência no PagBank e mais de 15 anos investindo na prática. Fundadora do Site Guardar Dinheiro, onde escreve sobre o caminho do meio entre viver hoje e garantir o futuro.

Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Atualizado em: 30/09/2026

← Voltar para o blog