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Investimentos em Renda Fixa

IOF na LCI e LCA: o Que Se Sabe e o Que Fazer Agora

Por Equipe Guardar Dinheiro
Calculadora, celular com gráfico, símbolo de porcentagem e lupa dispostos sobre um fundo escuro

Se você tem dinheiro numa LCI ou LCA, provavelmente levou um susto ontem. O jornal O Globo revelou na quarta-feira (28) que a equipe econômica estuda cobrar IOF na LCI e LCA, além de CRI, CRA e debêntures incentivadas, papéis que hoje são isentos de Imposto de Renda para pessoa física.

Antes de qualquer movimento, respire: até agora é um estudo. Não há decreto publicado, alíquota, base de cálculo nem data. Neste texto separamos o que se sabe, o que ainda é especulação e como pensar a sua carteira sem agir no impulso.

O que já se sabe sobre o IOF na LCI e LCA

A informação é de bastidor, não de regra publicada. Segundo reportagem da InfoMoney de 29/10, a leitura dentro do governo é que esses títulos ganharam espaço demais na disputa com os títulos públicos, e a renúncia fiscal ligada a eles é estimada em cerca de R$ 33 bilhões por ano.

Por que o IOF, e não o Imposto de Renda

O IR sobre esses papéis só muda com lei aprovada no Congresso. O IOF pode ser alterado por decreto, com efeito imediato. É por isso que o mercado reagiu: não tanto pelo imposto em si, mas pelo instrumento. Gestores ouvidos pela InfoMoney consideram legítimo discutir o benefício, mas temem uma mudança feita sem passar pelo Congresso.

Isso já aconteceu antes

Em 2025, a Medida Provisória 1.303 previa Imposto de Renda de 5% sobre novas emissões de LCI e LCA, como explicou na época o Bora Investir, da B3. A Câmara retirou o texto de pauta e a MP perdeu a validade. Ou seja, o tema volta à mesa justamente agora, com o governo buscando medidas para cumprir a meta fiscal.

O que ainda não se sabe

Faltam as três informações que realmente importam para o seu bolso: a alíquota, a base de cálculo e se o estoque (o que você já tem aplicado) seria atingido.

  • Se valerá só para novas emissões ou também para títulos já comprados
  • Se será um IOF regressivo, que cai a zero depois de um prazo mínimo, ou uma cobrança fixa
  • Se incidirá sobre o rendimento ou sobre o valor resgatado
  • Quando começaria a valer

Gestores sugerem, como saída menos traumática, um IOF regressivo só para novas emissões e anunciado com antecedência. Mas, por ora, é sugestão de mercado, não proposta oficial.

Quanto isso pode pesar: uma simulação

Numa alíquota hipotética de 5% sobre o rendimento, o investidor perderia cerca de 0,7 ponto percentual ao ano, segundo simulação de David Camacho, da HeadInvest, com o CDI perto de 13,65%.

Em reais, com R$ 10.000 aplicados por um ano:

  • LCA a 92% do CDI, isenta: rendimento de cerca de R$ 1.256
  • A mesma LCA com 5% de imposto sobre o ganho: cerca de R$ 1.193
  • CDB a 100% do CDI, com IR de 17,5% (prazo de 361 a 720 dias): cerca de R$ 1.126

Mesmo no cenário hipotético, a LCA seguiria à frente nesse exemplo. O que muda é a margem, e ela pode encolher se os bancos repassarem o custo reduzindo as taxas oferecidas em novas emissões. Essas contas são ilustrativas, não indicação de produto.

Como pensar a sua carteira agora

A regra mais útil desta semana: não mexa na carteira por manchete. Quem vende LCI ou LCA antes do vencimento costuma encontrar pouca liquidez e pode receber menos. E, se a regra vier apenas para novas emissões, quem já está aplicado sai ileso.

Escolher título pela isenção primeiro e pensar no resto depois é o “checklist invertido” que Rodrigo Sgavioli, da XP, descreve na mesma reportagem: o certo é olhar primeiro o objetivo do dinheiro, o prazo e o emissor, e deixar a isenção como critério de desempate. Com o tema na agenda do governo, montar a carteira inteira em cima de um benefício que pode mudar virou um risco a mais.

Três checagens práticas

1. Prazo: veja quando cada LCI ou LCA vence. Se o dinheiro é para um objetivo de curto prazo, ele não deveria estar preso num título sem liquidez diária.

2. Garantia: LCI e LCA têm cobertura do FGC até R$ 250 mil por CPF e por instituição. Se tiver dúvida, revise o que é o FGC e como ele funciona.

3. Comparação líquida: ao renovar, compare sempre o rendimento já descontado de impostos. O passo a passo está em como escolher entre CDB, LCI e LCA.

E se a sua reserva de emergência está toda em LCA com carência, esse é o sinal para rever: veja 5 lugares para deixar a reserva guardada com resgate quando você precisar.

Reforço: o blog noticia e explica; não recomenda comprar, vender ou escolher nenhum produto específico.

Perguntas frequentes sobre IOF na LCI e LCA

LCI e LCA vão pagar IOF?

Ainda não. Em 29 de outubro de 2026, a cobrança é apenas um estudo da equipe econômica, revelado pelo jornal O Globo. Não existe decreto, alíquota, base de cálculo nem data de início. Até que algo seja publicado no Diário Oficial, LCI e LCA seguem isentas de Imposto de Renda para pessoa física e com IOF zerado nas regras atuais.

Quem já tem LCI ou LCA será afetado?

Não se sabe. A dúvida principal é se a regra atingiria o estoque ou só novas emissões. Gestores ouvidos pela imprensa defendem preservar quem já está aplicado, mas não há confirmação oficial. Por isso, especialistas desaconselham vender títulos às pressas, já que o resgate antecipado pode render menos que esperar o vencimento.

Por que o governo usaria IOF e não Imposto de Renda?

Porque o Imposto de Renda sobre esses papéis só pode ser alterado por lei aprovada no Congresso, enquanto o IOF pode ser mudado por decreto do Executivo, com efeito mais rápido. É justamente esse atalho que preocupa o mercado, que vê risco de insegurança jurídica e possível contestação na Justiça.

Ainda vale a pena investir em LCI e LCA?

Depende do seu objetivo, prazo e da taxa oferecida, sempre comparando o rendimento líquido com CDB e Tesouro. Mesmo com um imposto hipotético de 5% sobre o ganho, a vantagem de muitos títulos isentos diminuiria, mas não sumiria. A isenção deve ser critério de desempate, não o único motivo da escolha.

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O que fazer hoje

Abra a sua corretora e anote, para cada LCI ou LCA, o valor, a taxa e a data de vencimento. Depois, coloque esse mesmo valor na Calculadora de Renda Fixa do Guardar Dinheiro e compare com um CDB e um título do Tesouro no mesmo prazo. Com os números na mão, qualquer anúncio do governo vira uma conta de cinco minutos, e não um motivo de pânico. É assim que o seu dinheiro continua trabalhando a favor das suas escolhas.


Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Atualizado em: 29/10/2026



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