CDB a 120% do CDI: 7 Perguntas Antes de Se Empolgar

Com a Selic em 13,75% ao ano, segundo a Investidor10, um CDB a 120% do CDI chama atenção de quem passa os olhos pelas plataformas de investimento. Em outubro, ofertas assim apareceram em comparadores: o comparador da Meelion listava, entre as primeiras opções do mês, CDBs de 122% e 121% do CDI de emissores menores, e o levantamento da Investidor10 de 1º/10 trazia taxas de 118%, 116% e 108,5%.
Só que percentual alto, sozinho, não conta a história inteira. Em todas essas ofertas há três condições repetidas: prazo longo (vencimentos entre 2029 e 2031), resgate apenas no vencimento e emissores de porte menor. Este texto não indica nem desaconselha nenhum CDB. A ideia é te dar as perguntas que um profissional faria antes de aplicar, para você decidir com os olhos abertos.
1. Quem é o emissor?
O CDB é um empréstimo que você faz ao banco. A taxa paga pelo banco costuma ser maior quando o banco é menor ou precisa se financiar com mais custo. Nas listas de outubro, os percentuais mais altos vinham de instituições como DM Financeira, Digimais, Banco Arbi e Afinz, e não dos grandes bancos. Isso não é bom nem ruim por si só, mas explica o prêmio na taxa: quem paga mais está comprando a sua confiança.
2. Qual é o prazo?
Os CDBs da Investidor10 vencem entre junho e setembro de 2029; os da Meelion, entre agosto de 2029 e outubro de 2031. São de 32 a 60 meses. Se você precisar do dinheiro antes, o problema não é a taxa, é o calendário. Pergunte-se: quais objetivos meus cabem em três, quatro ou cinco anos sem eu precisar mexer nesse valor?
3. Quando posso resgatar?
Nas ofertas citadas, a liquidez é “somente no vencimento”. Isso significa que o dinheiro fica preso: se aparecer uma emergência em 2027, o CDB não ajuda. Por isso este tipo de aplicação não substitui a reserva de emergência, que precisa estar em liquidez diária. Se ainda estiver montando a sua, veja onde deixar a reserva guardada.
4. O FGC cobre até quanto?
O Fundo Garantidor de Créditos cobre até R$ 250 mil por CPF em cada instituição (ou conglomerado), com teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos, conforme a InfinitePay e o próprio FGC. Se você aplica R$ 10 mil, está bem abaixo do limite. A garantia reduz o risco de perder o dinheiro, mas não é um “seguro de tudo”: há trâmites e prazo para o pagamento, e a cobertura vale até o limite. Se quiser entender o fundo, temos um guia sobre o que é o FGC.
5. Quanto sobra depois do imposto?
O Imposto de Renda é regressivo: 22,5% sobre o ganho até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima disso. Em prazos de três a cinco anos, a alíquota é de 15%. Veja uma simulação, que não é promessa de rentabilidade, com R$ 10 mil por três anos e CDI constante em 13,65% ao ano (a Selic menos 0,10 ponto):
- CDB a 100% do CDI: líquido de cerca de R$ 13.977, depois de R$ 702 de IR.
- CDB a 120% do CDI: líquido de cerca de R$ 14.973, depois de R$ 878 de IR.
A diferença é de aproximadamente R$ 996 em três anos. Se o CDI cair, os dois números caem, e a distância entre eles encolhe. O prêmio é real, mas é preciso medir o que se paga por ele em prazo e em risco de emissor.
Nos meus anos no PagBank, vi muito investidor olhar só o percentual da vitrine. O que mais pesa na prática, porém, é combinar três coisas: prazo, liquidez e tamanho da posição. Uma taxa alta num valor pequeno, com a reserva em outro lugar, é uma decisão muito diferente de colocar toda a poupança em um único emissor.
6. Qual é a alternativa de referência?
Toda taxa precisa de uma régua. O Tesouro Selic, por exemplo, é um título do governo federal com rentabilidade ligada à Selic; é usado como comparação por ter risco de emissor mais baixo. Se o CDB paga mais, essa diferença é o preço que o mercado atribui ao risco e à falta de liquidez. A conversa que ajuda é: o prêmio compensa para o meu caso? Para um comparativo mais amplo, veja CDB ou Tesouro Direto.
7. Quanto da minha carteira cabe numa oferta assim?
Esta é a pergunta que mais evita arrependimento. Distribuir o dinheiro entre emissores diferentes, como o limite do FGC já sugere, reduz o estrago se algo der errado com um deles. Em vez de pensar “qual é o melhor CDB”, pense “qual parcela do que eu tenho aceita ficar parada por quatro anos”. Se a resposta for pequena, não é problema. Para saber mais sobre outras formas de melhorar o rendimento do que já está aplicado, leia 7 formas de fazer seu CDB render mais.
Perguntas frequentes sobre CDB a 120% do CDI
CDB a 120% do CDI é seguro?
Depende do emissor e do valor. O FGC cobre até R$ 250 mil por CPF em cada instituição, o que reduz o risco para valores menores. Mesmo assim, o emissor pode ter dificuldades, e o pagamento da garantia leva tempo. Segurança, nesse caso, é uma conta de limite e de diversificação.
Dá para resgatar um CDB antes do vencimento?
Depende do que está escrito na oferta. Os CDBs citados neste texto têm liquidez somente no vencimento, ou seja, não permitem saque antes. Outros CDBs têm liquidez diária, mas costumam pagar percentuais menores. Confira sempre a descrição da liquidez antes de aplicar.
Como o Imposto de Renda incide no CDB?
O IR incide apenas sobre o rendimento, não sobre o valor aplicado, e segue tabela regressiva: de 22,5% (até 180 dias) a 15% (acima de 720 dias). A instituição desconta o imposto sozinha no resgate ou no vencimento, então você recebe o valor líquido.
CDB de banco pequeno paga mais do que o de banco grande?
Em geral, sim: bancos menores precisam oferecer taxa maior para atrair clientes. Nas listas de outubro, os percentuais mais altos vinham de emissores de menor porte. Esse prêmio é a contrapartida de uma instituição menos conhecida e de prazos mais longos.
O que fazer hoje
Pegue a oferta que chamou sua atenção e responda por escrito às sete perguntas acima. Se você não souber responder alguma, é sinal de que ainda falta informação. Depois, simule o valor que pretende aplicar na nossa calculadora de renda fixa, comparando a taxa que você viu com 100% do CDI. Ver o ganho extra em reais, e o que você abre mão para tê-lo, é o que transforma um percentual de vitrine numa escolha consciente, com a liberdade de dizer “não, obrigada” quando a conta não fecha.
Sobre a autora: Gracy Ferreira é especialista em marketing com quase 12 anos de experiência no PagBank e mais de 15 anos investindo na prática. Fundadora do Site Guardar Dinheiro, onde escreve sobre o caminho do meio entre viver hoje e garantir o futuro.
Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Atualizado em: 28/10/2026



