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Dinheiro de Presente da Criança: Como Dividir e Guardar

Por Equipe Guardar Dinheiro
Pessoa segurando um cofrinho de porquinho rosa junto ao corpo, lugar simples para guardar o dinheiro de presente da criança

O Natal chega, a avó entrega um envelope, o padrinho manda um Pix, a tia dá uma nota “para comprar o que quiser”. Quando a família vê, a criança juntou R$ 300 ou R$ 400 em poucos dias — e ninguém combinou o que fazer com esse valor. Às vezes ele some em balas e brinquedos em uma semana. Às vezes vai para a conta dos pais e nunca mais se fala nele.

O dinheiro de presente da criança é uma das melhores oportunidades de educação financeira que existem, justamente porque é dela. Não é mesada, não é salário, não tem obrigação. É um valor inesperado que permite praticar, na vida real, a diferença entre gastar agora e guardar para depois.

Faltando dois meses para o Natal, vale definir a regra antes do envelope chegar.

De quem é o dinheiro que a criança ganha?

O dinheiro dado de presente à criança é dela, e os pais são os responsáveis por administrá-lo até a maioridade. É o que diz o Código Civil, no artigo 1.689, ao tratar dos bens dos filhos menores, disponível no site do Planalto.

Na prática, isso muda a conversa em casa. Se os pais usam o dinheiro para pagar uma conta, o ideal é dizer isso à criança e combinar a devolução, como um empréstimo de verdade. Parece detalhe, mas é aqui que a criança aprende se pode confiar no combinado — e se o dinheiro “dela” existe mesmo.

E se a família estiver precisando?

Acontece, e não é motivo de culpa. O que faz diferença é a transparência: explicar, com palavras simples, que aquele valor vai ajudar a casa agora e será reposto aos poucos, por exemplo R$ 20 por mês. A criança aprende que dinheiro também serve para cuidar de quem a gente ama.

A regra dos três potes: gastar, guardar e compartilhar

Dividir o valor em três partes ajuda a criança a ver que o mesmo dinheiro pode ter destinos diferentes. A proporção muda com a idade.

Até 6 anos

Nessa fase, a criança precisa ver e tocar o dinheiro. Use potes transparentes. Com R$ 200 de presente, uma divisão possível é R$ 100 para gastar em algo que ela escolha, R$ 80 para guardar e R$ 20 para compartilhar — uma doação ou um presente para alguém. Brinquedos que ajudam nessa fase estão no nosso artigo sobre brinquedos que ensinam a guardar dinheiro.

De 7 a 12 anos

Já dá para falar em meta. Se a criança ganhou R$ 300 e quer um tênis de R$ 250 daqui a quatro meses, ela pode gastar R$ 50 agora e guardar o resto para a compra. O pote do “guardar” passa a ter nome e prazo.

Adolescentes

Aqui entra o longo prazo. Um adolescente que recebe R$ 500 no Natal pode separar uma parte para lazer e outra para um objetivo maior, como um curso, um celular ou o primeiro investimento. Vale mostrar quanto aquele valor pode crescer em alguns anos.

Onde guardar a parte do futuro

Para valores pequenos e de curto prazo, o pote ou uma conta digital infantil resolvem; para o longo prazo, faz sentido uma aplicação em nome da criança. O importante é que o dinheiro não se misture com o da família.

Algumas opções, apresentadas como contexto e não como recomendação:

  • Conta digital infantil: permite que a criança acompanhe o saldo pelo app, com controle dos pais. Comparamos prós e contras em mesada digital: vale a pena trocar o dinheiro vivo por conta?.
  • Poupança em nome da criança: simples, isenta de IR, com rendimento menor.
  • Tesouro Direto em nome da criança: é possível investir a partir de cerca de R$ 30, segundo o Tesouro Direto, com o CPF do menor e acompanhamento do responsável.

Pelo Código Civil, menores de 16 anos são representados pelos pais nos atos da vida civil, e entre 16 e 18 anos são assistidos — por isso a conta ou o investimento fica no CPF da criança, mas sob responsabilidade do adulto. A ideia de transformar presente em investimento também apareceu em reportagem recente do Viva, que sugere presentes ligados ao futuro.

Como combinar com avós, tios e padrinhos

O que vemos com frequência é a família dando presentes com intenções diferentes: a avó quer que a criança “compre um docinho”, o padrinho quer que “guarde para a faculdade”. Sem combinar, a criança fica no meio.

Achamos importante dizer: ninguém precisa controlar o presente dos outros. Mas uma conversa curta ajuda. Os pais podem contar à família qual é a regra da casa — por exemplo, metade para gastar e metade para guardar — e perguntar se quem deu tem alguma preferência. Muitos avós gostam de saber que o valor virou parte de um objetivo, e alguns passam a contribuir todo ano.

Se a dúvida é quanto dar no dia a dia, além dos presentes, vale ver quanto dar de mesada para cada idade.

Perguntas frequentes sobre dinheiro de presente da criança

O dinheiro que a criança ganha de presente pertence a ela?

Sim. Valores dados de presente são bens da criança, e os pais têm o dever de administrá-los até a maioridade, conforme o Código Civil. Isso não impede que a família use o dinheiro numa emergência, mas o ideal é explicar à criança e combinar a devolução, para que ela confie que o dinheiro dela é respeitado.

Quanto do dinheiro de presente a criança deve guardar?

Não existe percentual obrigatório. Uma regra simples é dividir em três partes: gastar, guardar e compartilhar. Para crianças pequenas, metade para gastar funciona bem, porque a recompensa precisa ser visível. Com a idade, a parte guardada pode crescer, principalmente quando há uma meta concreta, como um brinquedo ou um curso.

Posso abrir uma conta ou investimento no nome do meu filho?

Sim. Bancos e corretoras permitem abrir conta ou investir com o CPF do menor, sob responsabilidade dos pais. Menores de 16 anos são representados, e de 16 a 18 anos são assistidos. Opções comuns são contas digitais infantis, poupança e Tesouro Direto, que aceita aplicações a partir de cerca de R$ 30.

Devo deixar a criança gastar o dinheiro de presente como quiser?

Uma parte, sim. Gastar faz parte do aprendizado: é escolhendo, acertando e às vezes se arrependendo que a criança entende o valor do dinheiro. O papel do adulto é ajudar a pensar antes da compra, sem proibir. Se o arrependimento vier, ele ensina mais do que qualquer sermão.

Sua ação hoje

Antes de o Natal chegar, sente com seu filho e combine a regra dos potes para o dinheiro que ele ganhar. Depois, simule na nossa Calculadora de Renda Fixa quanto a parte guardada pode virar em cinco ou dez anos, e mostre o resultado para ele. Ver o dinheiro crescer é o jeito mais concreto de ensinar que guardar não é perder — é ganhar a liberdade de escolher depois.


Sobre o Guardar Dinheiro: Este conteúdo foi produzido pela equipe do Site Guardar Dinheiro, dedicada a mostrar que guardar dinheiro não é privação — é liberdade para escolher como viver hoje e garantir o amanhã.

Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Atualizado em: 21/10/2026



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