Top 5 Bancos Com Mais Reclamações no Banco Central

Cobrança no cartão que você não reconhece, consignado que apareceu sem autorização, SAC que transfere a ligação cinco vezes. Quase todo mundo já passou por uma dessas. O que pouca gente sabe é que o Banco Central conta essas reclamações e publica, a cada trimestre, quais instituições mais descumprem as regras.
O ranking de reclamações do Banco Central do 2º trimestre de 2026, divulgado em 23 de julho, colocou o Bradesco no topo, com 84,9 reclamações procedentes por milhão de clientes, segundo o Metrópoles. É o dado oficial mais recente: o ranking do 3º trimestre ainda não foi divulgado.
Antes da lista, um ponto importante: o índice não mede o tamanho do banco. Como explica o Poder360, o BC divide o número de reclamações procedentes, aquelas com indício de descumprimento de norma, pelo total de clientes. Assim, um banco gigante e uma fintech pequena podem ser comparados na mesma régua.
Os 5 bancos com mais reclamações no 2º trimestre de 2026
O ranking abaixo é informativo e reproduz os dados do Banco Central. Ele não é recomendação para abrir, manter ou fechar conta em nenhuma instituição.
1. Bradesco: índice de 84,9
O Bradesco registrou 9.375 reclamações procedentes de abril a junho, para uma base de 110,4 milhões de clientes, segundo o Metrópoles. No trimestre anterior, o banco estava em segundo lugar. Na prática, de cada 1 milhão de clientes, cerca de 85 tiveram uma queixa confirmada pelo BC.
2. C6 Bank: índice de 59,77
O C6 teve 2.103 reclamações procedentes para 35,1 milhões de clientes. O número absoluto é menor que o do Bradesco, mas a proporção é alta para o tamanho da base.
3. Itaú: índice de 46,87
O Itaú somou 4.596 reclamações procedentes no trimestre, com pouco mais de 98 milhões de clientes, de acordo com o Metrópoles.
4. BTG Pactual/Banco Pan: índice de 41,98
O conglomerado aparece em quarto lugar. Os dados de número absoluto de queixas e de clientes não foram detalhados nas reportagens consultadas.
5. Mercado Pago: índice de 40,81
A primeira instituição de pagamento da lista fecha o top 5. Logo depois vêm PicPay (35,66), Santander (34,19) e Banco do Brasil (32,68). A Caixa ficou em 11º lugar, com 23,32, e o Nubank teve um dos menores índices entre as grandes, 9,2.
O que mais gera reclamação procedente
As queixas mais frequentes do trimestre foram sobre integridade, segurança e sigilo nas operações de cartão de crédito, seguidas de problemas com crédito consignado e atendimento ruim no SAC. Os três temas aparecem nas duas reportagens.
Isso conversa com o que já mostramos aqui no blog. No caso do consignado, as regras mudaram bastante este ano, e vale conhecer as mudanças no teto de juros do consignado do INSS antes de aceitar qualquer oferta por telefone. No cartão, uma cobrança indevida não contestada pode virar dívida no rotativo, que segue entre as linhas mais caras do país.
Uma nota pessoal sobre a lista
Trabalhei quase 12 anos no PagBank, e o PagSeguro aparece em 9º lugar no ranking, com índice de 28,91. Conto isso por transparência e porque aprendi lá dentro como esse número é levado a sério: cada reclamação procedente no BC vira discussão interna, processo revisado e meta de área. Por isso, a reclamação que você registra não some. Mesmo quando o BC não resolve o caso individual, ela entra na estatística que pressiona a instituição a mudar. E ranking ruim em um trimestre não define um banco para sempre: o Bradesco, por exemplo, subiu da segunda para a primeira posição de um trimestre para o outro.
Como reclamar do jeito certo
O caminho mais eficiente é seguir a ordem: SAC, Ouvidoria e, só então, Banco Central. Pular etapas costuma atrasar a solução.
- SAC do banco: registre a queixa e anote o número de protocolo
- Ouvidoria: se não resolverem no prazo, recorra a ela com o protocolo do SAC
- Banco Central: registre a reclamação pelo site do BC ou pelo telefone 145, informando os protocolos anteriores
- consumidor.gov.br: alternativa pública em que a empresa precisa responder
Exemplo prático: se aparecer uma compra de R$ 349 no cartão que você não fez, conteste no app, guarde o protocolo e, se o estorno não vier, siga a escada acima. Em problemas de dívida antiga ou nome negativado, o passo a passo é outro, e explicamos em como sair da lista do Serasa e do SPC.
Perguntas frequentes sobre o ranking de reclamações do Banco Central
Qual banco tem mais reclamações no Banco Central?
No ranking do 2º trimestre de 2026, divulgado em 23 de julho, o Bradesco liderou, com índice de 84,9 reclamações procedentes por milhão de clientes e 9.375 queixas no período. Em seguida vieram C6 Bank (59,77) e Itaú (46,87). O ranking do 3º trimestre ainda não havia sido divulgado até a publicação deste texto.
Como é calculado o ranking de reclamações do BC?
O Banco Central analisa cada queixa registrada nos seus canais e verifica se há indício de descumprimento das normas do sistema financeiro. As confirmadas são chamadas de procedentes. O índice divide esse total pelo número de clientes da instituição e multiplica por 1 milhão, o que permite comparar bancos de tamanhos diferentes.
Reclamar no Banco Central resolve o meu problema?
O BC não intervém em casos individuais, mas encaminha a reclamação à instituição, que precisa responder. Os dados alimentam o ranking e a fiscalização. Para ter mais chance de solução rápida, registre antes no SAC e na Ouvidoria e informe os protocolos ao BC.
Qual o telefone para reclamar de banco no Banco Central?
O número de atendimento do Banco Central é o 145. Também é possível registrar a reclamação pelo site do BC. Tenha em mãos os protocolos do SAC e da Ouvidoria da instituição, além de prints, extratos e qualquer documento que comprove o problema.
O que fazer hoje
Abra o app do seu banco e confira a fatura do cartão e o extrato dos últimos 60 dias procurando cobranças ou descontos que você não reconhece. Se achar algo, comece hoje mesmo pelo SAC e anote o protocolo. Seu dinheiro trabalha para você quando você sabe exatamente onde ele está e não aceita pagar por um serviço que não contratou. Saber reclamar também é uma forma de liberdade.
Sobre a autora: Gracy Ferreira é especialista em marketing com quase 12 anos de experiência no PagBank e mais de 15 anos investindo na prática. Fundadora do Site Guardar Dinheiro, onde escreve sobre o caminho do meio entre viver hoje e garantir o futuro.
Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Atualizado em: 03/10/2026


