Nike sai do S&P100 após cair quase 80% em valor

Não é só marca de tênis que perde espaço no armário: a Nike virou o exemplo mais recente de como uma gigante conhecida no mundo inteiro pode perder quase 80% do valor de mercado em poucos anos. A partir de 21 de setembro de 2026, ela nem sequer vai mais estar entre as 100 maiores empresas listadas nos Estados Unidos, pelo menos não no índice que mede isso.
O que aconteceu, na prática
A S&P Dow Jones Indices anunciou que a Nike sairá do S&P 100 antes da abertura do mercado em 21 de setembro de 2026, encerrando quase 18 anos de permanência no índice (timesbrasil.com.br). No lugar dela entram Dell Technologies, Palo Alto Networks, Arista Networks e Sandisk. Além da Nike, Honeywell Aerospace, Simon Property Group e Colgate-Palmolive também deixam o índice na mesma leva.
O tamanho da queda, em número real
Desde o pico de 2021, a ação da Nike acumula queda de até 79%, e o valor de mercado da empresa encolheu mais de US$ 220 bilhões (timesbrasil.com.br). Convertendo pelo câmbio projetado para 2026 (cerca de R$ 5,20 por dólar), isso equivale a mais de R$ 1,1 trilhão de valor que evaporou, um número maior do que o PIB de muitos países.
Por que a Nike perdeu tanto valor
No ano fiscal encerrado em maio de 2026, a receita da empresa ficou em torno de US$ 46,4 bilhões, praticamente estagnada, num cenário de dificuldades especialmente na China e no próprio mercado americano, além de concorrência mais forte de marcas emergentes (timesbrasil.com.br). O CEO da companhia reforçou publicamente que a estratégia da empresa segue sólida, mas o mercado, por enquanto, reagiu com ceticismo, precificando a ação no menor nível em 12 anos (exclusivo.com.br).
A Nike quebrou? Não
Sair do S&P 100 não significa sair da bolsa, nem falência. A Nike continua listada e integra o S&P 500, índice mais amplo com 500 empresas americanas. O S&P 100 reúne apenas as 100 maiores e mais líquidas dessas companhias, então a remoção reflete uma queda de posição relativa, não um desaparecimento do mercado. Quem tem ações ou BDRs da Nike não perdeu o investimento da noite para o dia por causa dessa mudança de índice específica, o preço já vinha caindo há anos, de forma gradual e visível para quem acompanhava.
Nos meus mais de 15 anos investindo, vi mais de uma “queridinha” do mercado, marca que todo mundo reconhece e usa no dia a dia, perder valor de forma consistente enquanto o público continuava achando que era investimento garantido só porque o produto é bom. Marca forte no varejo e desempenho forte na bolsa são coisas relacionadas, mas não são a mesma coisa.
Perguntas frequentes sobre a saída da Nike do S&P 100
O que é o S&P 100?
É um índice que reúne 100 das maiores e mais negociadas empresas listadas nos Estados Unidos, um recorte mais concentrado do S&P 500. Sair dele significa perder posição relativa entre as gigantes, não deixar de ser uma empresa de capital aberto.
A Nike faliu ou vai fechar?
Não. A empresa segue operando normalmente, com receita bilionária, e continua listada no S&P 500. O que mudou foi a posição dela num índice mais restrito, reflexo da queda acumulada da ação.
Por que as ações caíram tanto nos últimos anos?
Entre os fatores citados pelo mercado estão a estagnação da receita, dificuldades em mercados-chave como China e Estados Unidos, e concorrência mais forte de outras marcas esportivas.
Isso afeta quem tem BDR de Nike comprado na B3?
Sim, o valor do BDR segue o desempenho da ação original nos Estados Unidos, convertido para reais. Quem investe em BDRs de empresas específicas está exposto ao mesmo risco de queda que qualquer acionista direto.
Se você tem ações ou BDRs de empresas específicas na carteira, hoje é um bom dia para conferir quanto elas representam do total investido. Não é sobre vender por pânico ao ver uma notícia como essa, é sobre saber, com clareza, o tamanho da sua exposição a uma única empresa antes que uma queda desse tamanho vire surpresa.
Sobre a autora: Gracy Ferreira é especialista em marketing com quase 12 anos de experiência no PagBank e mais de 15 anos investindo na prática. Fundadora do Site Guardar Dinheiro, onde escreve sobre o caminho do meio entre viver hoje e garantir o futuro.
Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento.



