Investir no Exterior: as Melhores Plataformas Para Começar

O fundo que replica a bolsa brasileira em Tóquio caiu 14% na noite da eleição, e o dólar futuro bateu R$ 5,68 no pico, segundo a Bloomberg Línea. Quem tinha 100% do patrimônio no Brasil viu, numa noite só, como é ter todos os ovos na mesma cesta. Não dá mais para tratar investir no exterior como coisa de rico. É gestão de risco básica.
A dúvida prática é: por onde investir lá fora? Neste artigo eu digo quais plataformas eu indico, quanto cada uma cobra e para quem cada uma serve. Não vou dizer qual ação comprar, porque isso depende do seu perfil e é papel de um analista certificado. Mas a escolha da porta de entrada eu posso, e quero, te ajudar a fazer.
Primeiro, o custo de entrada
Toda remessa para investir lá fora tem três custos: IOF de 1,1% (quando registrada como investimento, segundo o Safra), o spread do câmbio e a corretagem das ordens. Um comparativo de 2026 do iDinheiro estimou, por exemplo, custo total de cerca de R$ 255 para investir R$ 5.000 em ações americanas numa plataforma com spread de 1,85% e sem corretagem, já com IOF. É esse tipo de conta que você precisa fazer.
As plataformas que eu indico para investir no exterior
1. Nomad: a melhor porta de entrada para iniciantes
A Nomad não cobra corretagem em ações e ETFs americanos, e o spread vai de 2% a 1%, conforme o nível do programa de fidelidade. Os ativos ficam custodiados em corretora americana membro da Finra, com proteção SIPC de até US$ 500 mil contra falha da corretora. App simples, em português, e conta e investimento no mesmo lugar.
Eu indico para: quem está começando e quer comprar ETFs e ações americanas sem complicação.
2. Inter: sem corretagem e com spread baixo
O Inter também não cobra corretagem na conta americana, e o spread fica entre 1,5% e 0,99%, conforme o volume, segundo o comparativo do iDinheiro. Para quem já usa o banco, é o caminho mais rápido.
Eu indico para: clientes Inter que querem investir lá fora sem abrir outra conta.
3. Avenue: a mais completa em produtos
A Avenue oferece ações, ETFs, REITs, renda fixa americana e fundos. A corretagem vai de US$ 2,50 a US$ 10 por ordem, conforme o valor, e o spread de 1,95% a 0,50%. Cobra mais por ordem, mas compensa para quem faz poucas operações maiores e quer variedade.
Eu indico para: quem quer ir além dos ETFs e montar uma carteira diversificada de verdade em dólar.
4. Interactive Brokers: para quem tem volume e experiência
A Interactive Brokers é uma das maiores corretoras do mundo, com acesso a bolsas de vários países e custos por ação muito baixos (a partir de US$ 0,005 por ação). A plataforma é em inglês e mais técnica, e a remessa precisa ser feita por um serviço de câmbio à parte.
Eu indico para: investidores experientes, com valores maiores, que querem acesso global e custo mínimo por operação.
5. BDRs e ETFs na B3: para quem não quer mandar dinheiro para fora
Se você prefere não abrir conta lá fora, dá para ter exposição internacional comprando BDRs e ETFs internacionais pela sua corretora brasileira, em reais, sem IOF de câmbio. A tributação é a da bolsa brasileira (15% sobre o ganho). Explicamos o produto em o que é BDR e como investir.
Eu indico para: quem quer começar com valores pequenos ou ainda não se sente pronto para ter conta no exterior.
Imposto de Renda: o que muda quando o dinheiro está lá fora
Para quem investe diretamente no exterior, vale a Lei 14.754/2023: 15% sobre o lucro, apurado uma vez por ano na declaração, sem a antiga isenção de R$ 35 mil em vendas. Prejuízos lá fora podem compensar ganhos lá fora, e o imposto retido nos EUA sobre dividendos pode ser abatido no Brasil até 15%, segundo a Itatiaia. Organize os comprovantes desde a primeira remessa.
O que eu faria agora
Quando comecei a investir, há mais de 15 anos, mandar dinheiro para fora era caro e burocrático. Hoje não há mais desculpa. Mas também não há motivo para fazer tudo num dia de pânico. O meu plano seria este:
- abrir a conta numa das plataformas acima esta semana;
- definir um valor fixo mensal para enviar, sempre como investimento (IOF de 1,1%);
- começar por ETFs amplos, que espalham o dinheiro em centenas de empresas, antes de escolher ações individuais;
- construir a parte internacional ao longo de 6 a 12 meses.
Diversificar é proteger o patrimônio de um risco concentrado, e não apostar contra o Brasil. Já falamos sobre isso em por que diversificar investimentos importa. E nada disso substitui a reserva de emergência, que deve estar pronta antes.
Perguntas frequentes sobre investir no exterior
Qual a melhor corretora para investir no exterior?
Depende do seu perfil. Para iniciantes, Nomad e Inter não cobram corretagem em ações e ETFs americanos. Para quem quer mais produtos, a Avenue é mais completa. Para investidores experientes e com volume, a Interactive Brokers tem custo por operação muito baixo. Compare spread, corretagem e facilidade de uso antes de decidir.
Quanto preciso para começar a investir no exterior?
É possível começar com pouco, porque várias plataformas permitem comprar frações de ações e ETFs. O que pesa para valores pequenos são os custos fixos e o spread do câmbio. Por isso, faça uma simulação com o valor que pretende enviar e veja quanto chega investido de fato.
É seguro investir por corretoras no exterior?
As corretoras americanas reguladas são supervisionadas por órgãos dos EUA, e muitas têm proteção SIPC de até US$ 500 mil contra falha da corretora, não contra perdas de mercado. Confira sempre quem custodia os ativos e se a empresa é registrada nos órgãos reguladores antes de enviar dinheiro.
Como declarar investimentos no exterior no Imposto de Renda?
Os ativos vão na ficha de Bens e Direitos, e os lucros, dividendos e juros entram na apuração anual de 15% sobre rendimentos no exterior, conforme a Lei 14.754/2023. Não existe mais isenção para vendas até R$ 35 mil. Guarde comprovantes de remessa, compra, venda e cotação de cada operação.
O que fazer hoje
Escolha uma das plataformas, abra a conta e faça a primeira remessa pequena, como teste, registrada como investimento. Depois, coloque no calendário um envio fixo todo mês. Ter uma parte do seu patrimônio fora do país é o que te dá liberdade para não depender de uma única economia, nem de uma única eleição.
Transparência: este artigo pode conter links de parceiros. Se você abrir conta por eles, o Guardar Dinheiro pode receber uma comissão, sem nenhum custo extra para você. As indicações seguem os critérios descritos acima.
Sobre a autora: Gracy Ferreira é especialista em marketing com quase 12 anos de experiência no PagBank e mais de 15 anos investindo na prática. Fundadora do Site Guardar Dinheiro, onde escreve sobre o caminho do meio entre viver hoje e garantir o futuro.
Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Atualizado em: 26/10/2026



