Dólar Após a Eleição: Por Que Subiu 8% e Depois Recuou

Quem precisou comprar dólar nesta semana viu a cotação mudar de patamar em menos de 24 horas. Na sexta (23), US$ 1.000 custavam cerca de R$ 4.993. Na segunda (26), primeiro pregão após o segundo turno, o mesmo valor passou de R$ 5.400. E na terça (27), a moeda já devolvia parte do salto.
Esse sobe e desce do dólar após a eleição tem explicação, e entender o que move a cotação ajuda a não tomar decisões no impulso. A seguir, o que aconteceu nos dois dias, por que o dólar recuou e o que pode mexer com ele nas próximas semanas. O conteúdo é informativo e não é recomendação de compra ou venda de moeda.
Quanto o dólar subiu na segunda-feira?
O dólar fechou a segunda-feira (26) em alta de 8,36%, a R$ 5,406, a maior valorização diária frente ao real em 23 anos, segundo a CNN Brasil. Na abertura, chegou a subir 12,52% e encostou em R$ 5,60.
Por que a alta foi tão forte
O mercado estava posicionado para outro resultado na eleição. Com a reeleição do presidente Lula, investidores refizeram as contas sobre o risco fiscal e venderam ativos brasileiros de uma vez: ações, títulos públicos e reais. Quando muita gente vende real ao mesmo tempo para comprar dólar, a cotação dispara. No mesmo dia, o Ibovespa caiu 13,88% e os juros futuros saltaram mais de 250 pontos-base nos vencimentos longos.
Por que o dólar caiu na terça-feira?
Na terça, o dólar comercial chegou a cair 1,52%, a R$ 5,320, e operava perto de R$ 5,33 no fim da manhã, segundo a cobertura ao vivo do InfoMoney. A primeira parcial da PTAX, a taxa de referência do Banco Central, ficou em R$ 5,3396 na venda.
O que ajudou a acalmar
- Correção natural: depois de um movimento extremo, parte dos investidores aproveita para realizar lucros, e a cotação devolve um pedaço da alta.
- Recompra de títulos: o Tesouro Nacional fez o terceiro leilão de recompra desde domingo, o que ajudou a derrubar os juros futuros. Juros mais calmos tiram pressão do câmbio.
- Sinalização fiscal: o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo tem medidas fiscais prontas para apresentar, incluindo a que permite buscar o centro da meta fiscal, segundo o InfoMoney.
Mesmo com a queda, o dólar segue bem acima do patamar de antes da votação: perto de R$ 5,33, contra cerca de R$ 4,99 na sexta.
O que pode mexer com o dólar nas próximas semanas
O câmbio deve continuar sensível a notícias. Os principais pontos no radar:
- Equipe econômica: a definição do comando da Fazenda no novo mandato é acompanhada de perto pelo mercado.
- Medidas fiscais: o anúncio e o conteúdo das medidas citadas por Durigan.
- Juros nos Estados Unidos: o Federal Reserve decide sobre juros nesta semana; o mercado espera manutenção.
- Avaliação de bancos estrangeiros: Citigroup e BCA Research rebaixaram a recomendação para ativos brasileiros na terça, o que pode pesar no fluxo de dinheiro para o país.
Se quiser rever como eleição, bolsa e câmbio se conectam, explicamos isso antes do pleito em 5 coisas que mudam na bolsa e no dólar com as eleições.
O que muda no seu bolso com o dólar mais alto
Na prática, o efeito aparece de três jeitos. Primeiro, em compras e viagens em moeda estrangeira: US$ 500 em compras internacionais custavam cerca de R$ 2.497 na sexta e aproximadamente R$ 2.665 com o dólar a R$ 5,33, antes do IOF. Segundo, nos preços aqui dentro, com algum atraso: produtos importados, eletrônicos e itens cotados em dólar, como o trigo usado em pães e massas, tendem a sentir se a alta durar. Terceiro, nos investimentos: quem tem parte do patrimônio em dólar viu essa parte valorizar em reais.
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Nos meus anos no PagBank, acompanhei de perto como dias de câmbio maluco geram uma corrida de clientes querendo “comprar antes que suba mais” ou “esperar cair”. Quase sempre, quem decide com base no movimento de um dia só acaba frustrado, porque ninguém acerta o pico nem o fundo. O que funciona melhor é olhar para a necessidade: se você tem uma viagem marcada ou uma conta em dólar para pagar, faz sentido dividir as compras ao longo do tempo para chegar a um preço médio. Se não tem, a cotação de hoje é só uma notícia. E, para quem pensa em ter dólar como parte da carteira, a lógica é de longo prazo, como discutimos em diversificação em dólar.
Perguntas frequentes sobre o dólar após a eleição
Por que o dólar subiu tanto depois da eleição?
Porque o mercado havia apostado em outro resultado e, com a reeleição de Lula, investidores reavaliaram o risco fiscal do país e venderam ativos brasileiros de forma simultânea. A procura por dólar disparou e a moeda fechou a segunda (26) em alta de 8,36%, a R$ 5,406, a maior alta diária em 23 anos, segundo a CNN Brasil.
O dólar vai continuar caindo?
Ninguém consegue prever. Na terça (27), a moeda recuou para perto de R$ 5,33 com a recompra de títulos pelo Tesouro e a promessa de medidas fiscais, mas segue acima do nível de antes da eleição. Os próximos movimentos devem depender da equipe econômica, das medidas fiscais e dos juros nos Estados Unidos.
É uma boa hora para comprar dólar para viagem?
Depende da sua necessidade, não da notícia do dia. Quem tem viagem marcada costuma dividir a compra em várias parcelas ao longo das semanas, para não concentrar tudo em um único preço. Comparar o custo total, com IOF e spread, entre cartão, conta global e espécie também faz diferença no valor final.
A alta do dólar vai aumentar a inflação?
Pode pressionar, se durar. Produtos importados e itens cotados em dólar, como combustíveis, eletrônicos e trigo, sentem a alta com algum atraso. Se a cotação recuar nas próximas semanas, o efeito tende a ser menor. Por isso, vale acompanhar os próximos índices de inflação antes de tirar conclusões.
Conclusão
Hoje, a ação prática é separar o que você realmente precisa pagar em dólar nos próximos meses e anotar valor e data de cada compromisso. Com isso no papel, registre esses gastos no Planner Financeiro 360º e planeje compras aos poucos, em vez de reagir a cada manchete. Quem tem o plano pronto escolhe o momento; quem não tem, corre atrás da cotação.
Sobre a autora: Gracy Ferreira é especialista em marketing com quase 12 anos de experiência no PagBank e mais de 15 anos investindo na prática. Fundadora do Site Guardar Dinheiro, onde escreve sobre o caminho do meio entre viver hoje e garantir o futuro.
Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Atualizado em: 27/10/2026



