MEI: 6 Passos Para Não Estourar o Teto de R$ 81 Mil

Outubro chega e muito MEI faz a conta que não fez durante o ano: será que já passei do limite? O teto do MEI é de R$ 81 mil de faturamento por ano, e passar dele sem perceber pode trazer imposto a mais, burocracia e até a saída do regime.
A boa notícia é que dá para evitar o susto com controle simples. Aqui vão seis passos, com exemplos em reais.
1. Saiba qual é o limite e o que ele significa
O limite anual é de R$ 81 mil, o que dá uma média de R$ 6.750 por mês. Essa média é só referência: você pode faturar R$ 12 mil num mês e R$ 2 mil em outro, desde que o ano feche dentro do teto. O valor segue a legislação do Simples Nacional, e você confere as regras no Portal do Empreendedor.
2. Some o faturamento todo mês
Faturamento é tudo o que você vendeu, não o que sobrou no bolso. Some notas fiscais, Pix de clientes e vendas no cartão, sem descontar custos. Exemplo: se de janeiro a setembro você vendeu R$ 69 mil, já usou 85% do teto. Sobram R$ 12 mil para outubro, novembro e dezembro, ou R$ 4 mil por mês. Anote isso numa planilha, mês a mês, para ver o limite se aproximando.
3. Se abriu o MEI neste ano, o teto é proporcional
Quem abriu o CNPJ no meio do ano tem limite proporcional: R$ 6.750 vezes os meses de atividade, contando o mês de abertura. Quem abriu em setembro tem 4 meses até dezembro e limite de R$ 27 mil, segundo a Genyo. Esse é o erro mais comum de quem começou há pouco: olhar para os R$ 81 mil cheios.
4. Passou até 20%? Há regra para isso
Se o excesso for de até 20% (ou seja, até R$ 97.200), você segue como MEI até o fim do ano, mas precisa pagar o DAS complementar sobre o que passou e migrar para microempresa em janeiro. Em um exemplo, quem fechou o ano com R$ 90 mil excedeu R$ 9 mil, e o imposto incide sobre esse valor.
5. Passou de 20%? A conta é retroativa
Acima de R$ 97.200, o desenquadramento vale desde o mês em que o limite foi ultrapassado, com tributos recalculados, multa e juros pela taxa Selic, conforme a mesma fonte. É a situação mais cara e a que mais pega de surpresa quem não acompanha o faturamento.
6. Planeje a migração antes de precisar
Se você já percebe que vai crescer, converse com um contador e avalie a migração para microempresa no Simples Nacional, que tem outras regras e outros custos. O DAS-MEI em 2026 é de R$ 82,05 (comércio), R$ 86,05 (serviços) e R$ 87,05 (mistos), vencendo todo dia 20, segundo a Genyo. Crescer é bom: o objetivo é que o crescimento não vire dívida.
Nos meus anos no PagBank, vi muito pequeno empreendedor confundir dinheiro na conta com lucro, e faturamento com renda. Acompanhar o faturamento mês a mês dá clareza, e clareza dá liberdade para decidir quando vale crescer. Quem quer ir além e empreender com mais estrutura pode ler o Cora Cora News e seus 6 primeiros passos para empreender depois dos 40.
Já falamos aqui sobre 6 erros que fazem o MEI pagar mais imposto e sobre o Desenrola MEI. Este texto é educativo e não substitui a orientação de um contador.
Perguntas frequentes sobre o teto do MEI
Qual é o teto do MEI em 2026?
O teto de faturamento é de R$ 81 mil por ano, o que equivale a uma média de R$ 6.750 por mês. Quem abre o CNPJ durante o ano tem limite proporcional aos meses de atividade, contando o mês de abertura.
O que acontece se o MEI passar do limite em até 20%?
Ele continua no regime até o fim do ano, mas paga o DAS complementar sobre o excedente e precisa migrar para microempresa em janeiro. O limite dessa faixa é R$ 97.200 de faturamento acumulado no ano.
E se passar de 20% do teto?
O desenquadramento retroage ao mês em que o limite foi ultrapassado. Os tributos são recalculados como se o MEI nunca tivesse existido naquele período, com multa e juros. Por isso o acompanhamento mensal é tão importante.
O faturamento do MEI inclui o que gastei com materiais?
Sim. O que conta é a receita bruta, ou seja, o total vendido, sem descontar custos de materiais, transporte ou outras despesas do negócio. Esse é um dos pontos que mais confundem quem faz a conta olhando só para o lucro.
O que fazer hoje
Some tudo o que você faturou de janeiro até agora e compare com R$ 81 mil (ou com o limite proporcional, se abriu este ano). Registre no Planner Financeiro 360º o que ainda deve entrar até dezembro. Saber o seu número hoje é o que permite crescer com escolha e sem susto.
Sobre a autora: Gracy Ferreira é especialista em marketing com quase 12 anos de experiência no PagBank e mais de 15 anos investindo na prática. Fundadora do Site Guardar Dinheiro, onde escreve sobre o caminho do meio entre viver hoje e garantir o futuro.
Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Atualizado em: 05/10/2026



