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82% das Famílias Estão Endividadas: 6 Passos Práticos

Por Equipe Guardar Dinheiro
Um casal se abraça na cozinha enquanto revisam documentos importantes, refletindo preocupação e apoio.

Imagine que, a cada 10 famílias na sua rua, 8 estão devendo alguma coisa agora — cartão de crédito, carnê de loja, financiamento ou crédito consignado. Não é força de expressão: é exatamente o que mostrou a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Em julho de 2026, 82% das famílias brasileiras declararam ter algum tipo de dívida, o maior patamar da série histórica pelo sexto mês seguido, segundo dados divulgados pela Agência Brasil. A própria CNC já projetava, na mesma divulgação, que o índice chegaria a 82,6% em setembro.

Se você é uma dessas famílias, a primeira coisa que preciso te dizer é: isso não te torna irresponsável. O levantamento mostra que o vilão número um é o cartão de crédito, presente em 85,3% dos lares endividados — muito à frente de carnês (16,1%) e crédito consignado (7,1%). Dívida também não é sinônimo de descontrole: segundo a CNC, ela é, em boa parte, o jeito que a família encontrou de manter o consumo básico em dia num momento de juros altos e salário que não estica. O problema começa quando ela vira um ciclo sem plano de saída.

Nos meus quase 12 anos dentro do PagBank, acompanhei de perto o outro lado dessa estatística: o volume de pedidos de negociação, portabilidade e renegociação de dívida sobe visivelmente todo mês em que sai uma notícia como essa. E aprendi uma coisa que os números sozinhos não mostram: quem sai do endividamento primeiro não é quem ganha mais — é quem organiza primeiro. Isso vale tanto para quem ganha R$ 1.800 quanto para quem ganha R$ 18.000 por mês. A própria pesquisa confirma esse recorte: entre famílias com renda de até 3 salários mínimos, 84,9% estão endividadas, contra 72% entre as que ganham mais de 10 salários — a diferença não é só de renda, é de margem de manobra.

Se você quer parar de fazer parte dessa estatística — ou pelo menos sair da parte dela que dói —, aqui estão 6 passos que realmente fazem diferença.

1. Descubra o tamanho real da sua dívida

Antes de negociar qualquer coisa, você precisa saber com quem deve, quanto deve e a taxa de juros de cada dívida. Liste tudo num papel ou numa planilha simples: cartão, cheque especial, consignado, carnê. Uma família que descobre que deve R$ 1.200 no cartão a 15% ao mês e R$ 800 no cheque especial a 12% ao mês já sabe, na hora, por onde começar.

2. Ataque primeiro a dívida mais cara, não a maior

Cheque especial e cartão de crédito rotativo têm os juros mais altos do mercado — muitas vezes acima de 400% ao ano. Priorize quitar essas antes de qualquer outra, mesmo que o valor pareça pequeno perto de um financiamento. Uma dívida de R$ 500 no rotativo pode dobrar em poucos meses; um financiamento de R$ 30.000 com juros de 1,5% ao mês, não.

3. Negocie diretamente com quem você deve

A maioria dos bancos, financeiras e lojas tem canal de negociação com desconto para pagamento à vista ou parcelado. Ligue, entre no app ou acesse o site — muitas vezes o desconto oferecido de cara já passa de 30% do valor da dívida. Você não precisa esperar virar negativado para negociar.

4. Use a Serasa Limpa Nome como ferramenta, não como último recurso

Em junho de 2026, o valor médio dos acordos fechados na plataforma Serasa Limpa Nome foi de R$ 793, com mais de R$ 15,9 bilhões em descontos concedidos só naquele mês, segundo dados da própria Serasa. Consultar seu CPF e negociar por lá é gratuito e pode reduzir a dívida em até 90%, dependendo do credor.

5. Corte uma fonte de gasto fixo antes de qualquer coisa

Revise assinaturas, apps e planos que rodam no automático. Cortar R$ 150 por mês em serviços que você mal usa já é dinheiro suficiente para pagar boa parte de uma parcela de negociação sem tirar de outro lugar do orçamento.

6. Estabeleça um teto de dívida nova até quitar a atual

Enquanto estiver pagando o que já deve, evite abrir crédito novo — nem que seja um parcelamento “sem juros” de uma compra que pode esperar. Regra prática: se a parcela nova empurra seu comprometimento de renda para além de 30%, ela pode esperar.

Perguntas frequentes sobre endividamento das famílias

Ter dívida é sempre um problema financeiro?

Não necessariamente. A própria CNC destaca que a dívida é, em parte, uma forma de direcionar dinheiro para o consumo, o que movimenta a economia. O problema começa quando a família não consegue mais pagar em dia e o comprometimento de renda passa de 30% a 50%.

Qual dívida devo pagar primeiro?

Como regra geral, priorize a dívida com a taxa de juros mais alta — geralmente cheque especial e cartão de crédito rotativo —, não necessariamente a de maior valor total.

Negociar dívida suja meu nome ainda mais?

Não. Negociar e pagar, mesmo que em condições diferentes das originais, é o caminho para retirar seu nome dos cadastros de inadimplentes, geralmente em até 5 dias úteis após o pagamento do acordo ou da primeira parcela.

Depois de quanto tempo uma dívida não paga sai do meu nome sozinha?

Pelo Código de Defesa do Consumidor, a negativação não pode ficar registrada por mais de 5 anos a partir do vencimento da dívida — depois desse prazo, seu nome é retirado automaticamente dos cadastros de proteção ao crédito, mesmo sem pagamento. Isso não apaga a dívida em si, que continua existindo e podendo ser cobrada por outras vias.

O que fazer com essa informação hoje

Você não vai resolver os 82% de endividamento do país, mas pode resolver o seu. Separe 20 minutos hoje para listar todas as suas dívidas com valor e taxa de juros — esse único passo já coloca você à frente da maioria das famílias dessa estatística, que negociam sem saber exatamente quanto devem. Comece pela mais cara, não pela maior, e você vai sentir o alívio no orçamento antes do que imagina. Isso é liberdade: não ter uma parcela decidindo por você o que pode ou não fazer no fim do mês.


Sobre a autora: Gracy Ferreira é especialista em marketing com quase 12 anos de experiência no PagBank e mais de 15 anos investindo na prática. Fundadora do Site Guardar Dinheiro, onde escreve sobre o caminho do meio entre viver hoje e garantir o futuro.

Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Atualizado em: 23/09/2026



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