Logotipo Site Guardar Dinheiro

Blog / Finanças Pessoais

Finanças Pessoais

Desemprego em 5,2%: 6 Passos Para Negociar Seu Salário

Por Equipe Guardar Dinheiro
Homem de terno e mulher de blazer conversam em pé, olhando papéis, em uma calçada da cidade

Você faz o trabalho de duas pessoas desde que um colega saiu, o mercado está contratando e o seu salário é o mesmo de dois anos atrás. Dá vontade de falar alguma coisa, mas bate a dúvida: “e se pegar mal?”.

O dado divulgado pelo IBGE em 30 de outubro ajuda a responder. A taxa de desemprego caiu para 5,2% no trimestre encerrado em setembro, a menor para esse período desde o início da série, em 2012, segundo a Rádio Itatiaia. Quando falta gente para contratar, a empresa tem mais a perder com a sua saída. É um bom momento para negociar salário, desde que com método.

Já falamos aqui sobre o que o desemprego baixo muda no bolso de forma geral. Desta vez o recorte é outro: como transformar esse dado numa conversa concreta com quem paga o seu salário.

O que mostra a PNAD Contínua

Os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), divulgados em 30/10, segundo o Diário do Nordeste:

  • Desemprego de 5,2% no trimestre de julho a setembro, contra 5,4% no trimestre até junho e 5,6% no mesmo período de 2025;
  • 5,63 milhões de pessoas procurando trabalho, contra 6,04 milhões um ano antes;
  • 103,6 milhões de pessoas ocupadas, o maior número da série.

Há uma ressalva importante: economistas ouvidos pela Itatiaia apontam sinais de desaceleração da atividade, num cenário de juros altos. O momento é bom, mas não é eterno. Por isso, quem pretende conversar sobre salário deve fazer isso com planejamento, não no impulso.

6 passos para negociar salário com o mercado aquecido

1. Descubra quanto vale a sua função hoje

Pesquise vagas parecidas com a sua em sites de emprego, converse com colegas da área e veja a convenção coletiva da categoria. Se as vagas para a sua função pagam entre R$ 4.500 e R$ 5.200 e você ganha R$ 4.000, você já tem um argumento objetivo, e não só uma sensação de injustiça.

2. Liste o que você entregou, em números

Gestor não aumenta salário por tempo de casa, aumenta por resultado. Anote: processos que você assumiu, metas batidas, economia que gerou, clientes que atendeu. “Assumi a carteira do colega que saiu, com 40 clientes a mais” pesa muito mais do que “trabalho muito”.

3. Escolha a hora certa

Evite o pior dia do trimestre ou a semana de fechamento. Os melhores momentos são a avaliação de desempenho, a definição de orçamento do ano seguinte (muitas empresas fazem isso agora, em novembro) ou logo depois de uma entrega importante.

4. Leve um número e uma margem

Peça um valor específico. Pedir de R$ 4.000 para R$ 4.400 é um reajuste de 10%, que dá R$ 400 a mais por mês e, contando o 13º, cerca de R$ 5.200 brutos a mais por ano. Tenha também um piso: o mínimo que faria você ficar satisfeito. Se dinheiro não for possível agora, negocie data para revisão, bônus, home office ou curso pago.

5. Não blefe com proposta que você não tem

Usar uma oferta de outra empresa só funciona se ela existir e se você estiver disposto a aceitá-la. Blefe descoberto queima confiança. Se quiser testar o mercado, faça entrevistas de verdade, com calma.

6. Pense antes de trocar de emprego

Uma proposta 15% maior pode compensar, mas confira o pacote inteiro: plano de saúde, vale-alimentação, distância, período de experiência. Lembre que, ao pedir demissão, você não tem direito ao seguro-desemprego nem saca o FGTS. Quem não sabe como funciona esse benefício pode ver quantas parcelas e qual o valor do seguro-desemprego. E não deixe a mudança acontecer sem reserva: se ainda não tem, comece pela reserva de emergência e por onde começar.

O que eu aprendi do outro lado da mesa

Em quase 12 anos no PagBank, participei de muitas conversas sobre remuneração, dos dois lados. O que eu vi foi isso: quem chega com dados e uma proposta clara costuma sair com alguma coisa, mesmo que não seja tudo. Quem chega só com frustração sai, quase sempre, com um “vamos ver mais para frente”. A empresa também faz contas: substituir alguém custa recrutamento, treinamento e meses de produtividade menor. Num mercado com pouca gente disponível, essa conta fica mais cara para ela.

Perguntas frequentes sobre como negociar salário

Qual é o melhor momento do ano para negociar salário?

Os momentos mais favoráveis costumam ser a avaliação de desempenho, a montagem do orçamento do ano seguinte, que em muitas empresas acontece entre outubro e dezembro, e logo após uma entrega relevante. Evite semanas de fechamento ou de crise na área. O desemprego baixo divulgado pelo IBGE ajuda, mas o que mais pesa é a sua argumentação com resultados concretos.

Quanto pedir de aumento?

Não existe percentual fixo. O ideal é pedir um valor alinhado ao que o mercado paga pela sua função, com base em vagas parecidas e na convenção coletiva. Pedidos entre 8% e 15% são comuns quando há acúmulo de função ou resultado claro. Leve um número específico e saiba qual é o mínimo que você aceitaria antes de entrar na conversa.

Pedir aumento pode me prejudicar?

Uma conversa respeitosa, com dados e no momento certo, raramente prejudica. O risco aumenta quando há ameaça, blefe ou cobrança em público. Se a resposta for não, pergunte o que precisaria acontecer para o aumento sair e combine uma data para retomar o assunto. Isso mostra maturidade e deixa um compromisso registrado.

Se eu pedir demissão para aceitar outra vaga, perco o quê?

Quem pede demissão não tem direito ao seguro-desemprego, não recebe a multa de 40% do FGTS e não pode sacar o saldo do fundo naquele momento. Recebe saldo de salário, férias vencidas e proporcionais com um terço e 13º proporcional. Por isso, compare o pacote completo da nova vaga e tenha reserva antes de trocar.

Conclusão: aumento bom é aumento que vira escolha

Hoje, separe 20 minutos para pesquisar três vagas parecidas com a sua e anotar três resultados seus em números. Isso já é metade da conversa. E, se o aumento sair, decida antes para onde ele vai: simule na nossa Calculadora de Renda Fixa quanto aqueles R$ 400 por mês podem virar se forem guardados, em vez de sumirem no padrão de vida. Se o novo salário mínimo proposto para 2027 afeta o piso da sua categoria, use isso também como argumento. Ganhar mais é bom; ganhar mais e ter escolha é melhor.


Sobre a autora: Gracy Ferreira é especialista em marketing com quase 12 anos de experiência no PagBank e mais de 15 anos investindo na prática. Fundadora do Site Guardar Dinheiro, onde escreve sobre o caminho do meio entre viver hoje e garantir o futuro.

Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Atualizado em: 02/11/2026



← Voltar para o blog

Gostou do conteúdo?

Mande para quem também quer cuidar melhor do dinheiro.

WhatsApp