Cheque Especial x Empréstimo Pessoal: o Que o Procon-SP Mostra

“Cheque especial é a pior dívida do banco, nunca use.” Quase todo mundo já ouviu essa frase. Só que os números do Procon-SP de outubro contam uma história mais interessante: em vários bancos, o empréstimo pessoal tem taxa maior que o cheque especial.
Isso não significa que um seja bom e o outro ruim. Significa que decidir entre cheque especial ou empréstimo pessoal pede conta, não frase pronta. A seguir, seis pontos a partir da pesquisa (coleta em 02/10 e divulgação em 08/10/2026), que considera taxas máximas pré-fixadas para pessoa física não preferencial em Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú, Safra e Santander. Importante: este texto é educativo e não indica nenhuma contratação.
1. O cheque especial tem a mesma taxa em todos os bancos
Todos os seis bancos cobram 8,00% ao mês no cheque especial, o teto fixado pelo Banco Central. A Resolução 4.765, de 2019, definiu esse limite, segundo estudo do Banco Central. A taxa anual equivalente é de 151,82%. Na prática, comparar bancos aqui não muda nada: o preço é o mesmo.
2. No empréstimo pessoal, a taxa varia muito
A taxa mensal do empréstimo pessoal vai de 5,86% a 10,72% entre os seis bancos. Banco do Brasil cobra 5,86%, Safra 7,25%, Caixa 8,00%, Itaú 9,49%, Santander 9,99% e Bradesco 10,72%, segundo o Procon-SP. A média é 8,55% ao mês, ou 167,69% ao ano. A distância entre a menor e a maior é de quase 5 pontos percentuais por mês.
3. Em três dos seis bancos, o empréstimo custa mais que o cheque
Itaú, Santander e Bradesco cobram mais no empréstimo pessoal do que os 8% do cheque especial; a Caixa empata. Só Banco do Brasil e Safra ficam abaixo. Exemplo: para R$ 1.000 por um mês, os juros do cheque especial seriam de até R$ 80; a taxa de 10,72% do empréstimo no Bradesco equivale a R$ 107,20 sobre o mesmo valor. Lembre que o prazo é diferente (o empréstimo foi simulado em 12 meses), então isso é uma comparação de taxa, não de custo total.
4. A taxa mensal não é o custo inteiro
Além dos juros, há tarifa e imposto. A mesma regra do Banco Central permite cobrar até 0,25% sobre o limite que passa de R$ 500. Em um limite de R$ 2.000, isso dá até R$ 3,75 no mês ((R$ 2.000 − R$ 500) × 0,25%). Há também o IOF. Por isso, peça sempre o Custo Efetivo Total (CET), que soma tudo, antes de comparar. Conferimos esses detalhes no estudo de 2019; confirme no seu banco se a regra continua igual.
5. A estrutura é diferente: um tem fim, o outro não
O cheque especial não tem prazo nem parcela; o empréstimo tem as duas coisas. Para um uso de poucos dias, o limite pode ser prático. O risco é ele virar morada: sem parcela marcada, o saldo negativo some da vista e os 8% ao mês se acumulam. O empréstimo, ao contrário, obriga você a olhar a dívida todo mês. Quem tem dificuldade de se controlar pode até preferir essa “trava”, mas só se a parcela couber. Já reunimos 7 coisas sobre o cheque especial que complementam este ponto.
6. A taxa do Procon não é, necessariamente, a sua
O levantamento mostra taxas máximas para cliente não preferencial; a sua pode ser menor, ou maior. A pesquisa parte de uma coleta feita em um dia para seis bancos. Seu histórico, sua renda e seu relacionamento com o banco entram na conta. Se o objetivo é achar o crédito mais barato, siga o roteiro de como escolher o empréstimo mais barato e compare o CET por escrito.
Nos meus anos dentro de uma fintech, uma das perguntas mais frequentes era “qual crédito é o mais barato?”. A resposta honesta raramente é um produto: é o prazo mais curto que cabe no seu orçamento com a menor taxa que você consegue provar. E, sempre que dá, a melhor dívida é a que não nasce.
Perguntas frequentes sobre cheque especial e empréstimo pessoal
Qual é o juro máximo do cheque especial?
O teto é de 8% ao mês, definido pela Resolução 4.765/2019 do Conselho Monetário Nacional. No levantamento do Procon-SP de outubro de 2026, os seis bancos pesquisados cobravam exatamente esse valor, o que equivale a 151,82% ao ano.
O empréstimo pessoal pode ser mais caro que o cheque especial?
Pode. Na pesquisa do Procon-SP, Itaú (9,49%), Santander (9,99%) e Bradesco (10,72%) cobram taxa mensal maior que os 8% do cheque especial. Já Banco do Brasil (5,86%) e Safra (7,25%) ficam abaixo, e a Caixa empata em 8,00%.
O que é CET e por que importa?
CET é o Custo Efetivo Total: soma juros, tarifas, impostos e seguros embutidos. Duas ofertas com a mesma taxa de juros podem ter custos diferentes por causa dessas cobranças. Peça o CET por escrito e compare os números, não o discurso do atendente.
Vale usar o cheque especial por poucos dias?
Depende da conta. Por 5 dias, R$ 1.000 custam algo próximo de R$ 13 de juros (8% ao mês proporcional), mais eventual tarifa. O problema é esquecer o saldo negativo: no mês cheio, são até R$ 80. Se for a única saída, defina um dia para zerar.
O que fazer hoje
Antes de trocar uma dívida por outra, descubra onde você está. Faça o Raio-X Financeiro gratuito, anote qual dívida cobra mais por mês e peça o CET de cada uma delas. Com os números na mão, a escolha deixa de ser medo e vira decisão, e é nesse espaço que mora a liberdade de escolher como e quando sair do vermelho.
Sobre a autora: Gracy Ferreira é especialista em marketing com quase 12 anos de experiência no PagBank e mais de 15 anos investindo na prática. Fundadora do Site Guardar Dinheiro, onde escreve sobre o caminho do meio entre viver hoje e garantir o futuro.
Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Atualizado em: 15/10/2026



