BPC/LOAS: nova regra do CadÚnico pode suspender o benefício

Dona Marlene, 68 anos, recebe o BPC desde 2019 por causa de uma doença degenerativa. Em agosto de 2026, o pagamento simplesmente não caiu na conta. Não foi fraude, nem mudança no quadro de saúde dela: foi o CadÚnico desatualizado há mais de dois anos. Ela não sabia que isso bastava para travar um benefício que, na casa dela, é a única renda fixa do mês.
Situações como essa estão mais comuns em 2026. A Instrução Normativa conjunta SAGICAD/SNBA nº 1/2026 mudou as regras do Cadastro Único e trouxe impacto direto em quem recebe o BPC/LOAS — o benefício de um salário mínimo pago a idosos a partir de 65 anos e pessoas com deficiência de qualquer idade que vivem com renda familiar baixa, segundo levantamento do Mix Vale.
O que mudou no BPC/LOAS em 2026
O valor do BPC passou a ser R$ 1.621,00, acompanhando o novo salário mínimo, conforme dados divulgados pelo Agibank. Mas o que pegou mais gente de surpresa não foi o valor — foi a forma como o governo passou a exigir a atualização cadastral, a prova de incapacidade e a biometria facial para manter o benefício ativo.
Quem ainda está vinculado ao antigo formulário de impossibilidade de inclusão no CadÚnico precisa regularizar a situação até 31 de dezembro de 2026, segundo o texto da instrução normativa citado pelo Previdenciarista. Depois dessa data, quem não regularizar corre risco real de suspensão.
Por que o CadÚnico pode suspender seu benefício agora
O cadastro desatualizado é hoje um dos motivos mais comuns de bloqueio do BPC — ao lado de mudança de renda e perícia negativa. O INSS intensificou o que ficou conhecido como “pente-fino”: convocações para revisão cadastral e exame pericial, e quem falta a esses chamados tem a verba retida já no mês seguinte, segundo reportagem do Mix Vale.
Isso significa que uma família que recebia R$ 1.621,00 todo mês pode ficar sem nada de um mês para o outro só porque não atualizou um endereço ou não foi ao CRAS renovar informações que, na prática, continuam as mesmas. Não é punição — é burocracia que exige atenção, principalmente de quem cuida de idosos ou pessoas com deficiência sozinho.
Quem tem direito ao BPC/LOAS e qual é o critério de renda
Tem direito quem é idoso a partir de 65 anos ou pessoa com deficiência de qualquer idade, com renda familiar por pessoa abaixo de 1/4 do salário mínimo — hoje isso equivale a cerca de R$ 405,25 por pessoa na casa. A boa notícia é que a legislação permite abater do cálculo os gastos comprovados com fraldas descartáveis, medicamentos essenciais e procedimentos clínicos que o SUS não oferece, conforme explica o Jusbrasil.
Na prática: uma família de três pessoas com renda bruta de R$ 1.500 pode não se enquadrar de cara — dividido por três dá R$ 500 per capita, acima do limite. Mas se comprovar R$ 300 de gastos mensais com remédio para o idoso da casa, o cálculo pode cair para dentro do limite e liberar o benefício.
Como evitar a suspensão do seu BPC
Alguns passos simples evitam a maior parte dos bloqueios:
- Atualize o CadÚnico no CRAS a cada dois anos, mesmo que nada tenha mudado na família
- Guarde comprovantes de gastos com remédio, fralda e procedimentos de saúde não cobertos pelo SUS
- Não falte à perícia ou ao chamamento do INSS — se não puder ir, remarque antes da data, não depois
- Faça a biometria facial assim que for convocado, sem esperar o prazo vencer
- Confira o extrato do Meu INSS uma vez por mês para ver se há alguma pendência aberta
Nos meus anos trabalhando com fintech, uma coisa que aprendi por dentro do sistema é que boa parte da exclusão financeira de idosos não vem de má vontade do governo nem do banco — vem de burocracia que ninguém traduziu em linguagem simples. Dona Marlene não perdeu o direito ao BPC; ela perdeu o pagamento por não saber que precisava ir ao CRAS. É esse tipo de informação que decide se uma família come ou não no fim do mês.
Perguntas frequentes sobre BPC/LOAS em 2026
Qual é o valor do BPC/LOAS em 2026?
O valor é de R$ 1.621,00 por mês, o mesmo valor do salário mínimo nacional em 2026. O BPC não paga 13º salário, diferente da aposentadoria do INSS, porque é um benefício assistencial, não previdenciário, e por isso não segue as mesmas regras de pagamento extra no fim do ano.
Quem não atualizar o CadÚnico até dezembro de 2026 perde o benefício?
Quem estava vinculado ao formulário de impossibilidade de inclusão precisa regularizar o cadastro até 31/12/2026. Depois disso, a manutenção do pagamento passa a depender da atualização cadastral em dia, e a falta de regularização pode resultar em suspensão temporária do BPC até a situação ser resolvida.
Posso abater gastos com remédio no cálculo de renda do BPC?
Sim. A legislação autoriza descontar da renda familiar bruta os gastos comprovados com fraldas descartáveis, medicamentos essenciais e procedimentos clínicos não oferecidos pelo SUS. Guarde as notas fiscais: esse abatimento pode ser o que garante o direito ao benefício em famílias com renda per capita próxima do limite legal.
O que fazer hoje
Se você ou alguém da sua família recebe BPC, entre no aplicativo Meu INSS ainda esta semana e confira se há alguma pendência de cadastro ou perícia marcada. Se o CadÚnico está desatualizado, agende o CRAS mais próximo — a atualização é gratuita e leva menos de uma hora. Liberdade financeira, para quem depende do BPC, começa por garantir que a burocracia não tire o que já é um direito garantido por lei.
Sobre a autora: Gracy Ferreira é especialista em marketing com quase 12 anos de experiência no PagBank e mais de 15 anos investindo na prática. Fundadora do Site Guardar Dinheiro, onde escreve sobre o caminho do meio entre viver hoje e garantir o futuro.
Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento. Atualizado em: 10/09/2026


